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Reconstrução da mama ajuda a resgatar a autoestima da mulher
Cirurgião plástico fala sobre a cirurgia em mulheres em tratamento do câncer de mama
31/10/2022 10:53:04
Muitas mulheres em tratamento contra o câncer de mama passam pela mastectomia. Na cirurgia, a glândula mamária pode ser retirada quase total ou parcialmente, dependendo do caso. Depois da mastectomia, a paciente pode passar por outra cirurgia, dessa vez, para reconstruir esteticamente a mama retirada no procedimento anterior. O objetivo é deixar os seios simétricos, o mais semelhante possível.
O cirurgião plástico Thiago Hayashi, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) explica que existem diferentes técnicas para a reconstrução da mama. Uma das principais é o implante de prótese de silicone com retalho muscular. O tipo de cirurgia vai depender da condição clínica da paciente.
Ele ressalta que é importante definir o momento certo. "Na maioria das vezes a reconstrução de mama pode ser feita junto com a mastectomia. Tem dois casos que podem ser um pouco diferentes. Primeiro: se a paciente vai ou não ter saúde para isso. Uma cirurgia longa faz com que a paciente fique mais exposta ao tempo cirúrgico e começa a aumentar o risco. Às vezes ela pode ter pressão alta, diabetes ou idade avançada e vai se cansando na cirurgia. Outro ponto é se a paciente vai fazer depois a radioterapia. O tratamento atua nos tecidos e pode comprometer o resultado da reconstrução. Nesses casos é melhor aguardar o melhor momento para a cirurgia ser feita".
Reconstrução pelo SUS – A cirurgia pode ser feita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Para isso, o ideal é a paciente procurar a unidade de saúde mais próxima e o local onde ela já é atendida. As pacientes que têm plano de saúde podem procurar diretamente o cirurgião plástico. "É um trabalho multidisciplinar, com o acompanhamento de outros especialistas, como o mastologista", destacou Hayashi.
A reconstrução mamária pode impactar diretamente na autoestima da mulher. Ter de volta o formato dos seios, para muitas mulheres, é fator decisivo para o resgate da feminilidade, destaca o cirurgião.
O apoio da família e amigos durante todo o tratamento também é essencial para a paciente seguir em frente. "É um momento muito delicado. É muito mais uma questão de suporte para a paciente não desistir e seguir todas as orientações médicas. A paciente vai passar por etapas. O apoio psicológico também é muito importante. É um caminho que a paciente nunca trilhou. Sempre que a gente vai em um caminho novo dá medo. Eu acompanho pacientes há muito tempo e é muito gratificante ver o encerramento do tratamento. Não devem desistir. Existe luz no fim do túnel", finalizou. (Foto: Divulgação)