Estado
Lançado na Alerj manual de combate ao preconceito contra envelhecimento
Iniciativa reúne 43 autores de diferentes regiões do país
15/04/2026 16:40:55
Iniciativa do Coletivo Velhices Cidadãs, reunindo 43 autores de diferentes regiões do país, foi lançado nesta quarta-feira (15), na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) o “Pequeno Manual Anti-Idadista”. O evento, promovido pela Comissão de Assuntos da Pessoa Idosa, presidida pelo deputado estadual Munir Neto (SDD), reuniu especialistas, autoridades e representantes da sociedade civil para discutir estratégias de enfrentamento ao preconceito contra a população idosa. O evento contou com uma aula magna do médico especialista em envelhecimento, Alexandre Kalache, homenageado com uma Moção de Aplausos do deputado.
Segundo Munir, é importante lembrar que as crianças e os adolescentes de hoje serão os idosos de amanhã. “Por isso, é fundamental que esse tema esteja presente desde cedo na formação. A partir dessa reflexão, vamos trabalhar para levar essa pauta ao currículo das escolas estaduais do Rio de Janeiro. Ainda este ano, pretendo apresentar um projeto de lei para incluir a conscientização sobre o envelhecimento e o respeito à pessoa idosa na educação básica”, ressaltou.
Kalache explicou que o conteúdo do livro é simples. “Todos os ‘ismos’ têm em comum uma ideologia de discriminação, seja contra alguém por ser negro, mulher, gordo, ter uma deficiência ou ser idoso. Este é um pequeno manual com dicas para que cada pessoa, por meio da introspecção e da autoeducação, perceba seus próprios preconceitos”.
De acordo com o médico, o Brasil tem atualmente cerca de 33 milhões de pessoas idosas, e esse número deve dobrar até 2050. “Isso tem um significado profundo. Estamos vivendo uma verdadeira revolução da longevidade. Uma revolução transforma a sociedade de forma irreversível, e é exatamente isso que está acontecendo. Não podemos transformar a maior conquista social dos últimos 100 anos, que é viver mais, em um problema ou uma catástrofe. Envelhecer é uma conquista. Envelhecer é algo bom”, declarou.
A gerente de cuidados da Fundação Leão XIII, Christine Abdala, afirmou que é preciso as pessoas refletirem como querem envelhecer. “Queremos envelhecer bem, com dignidade, saúde, paz, parceria, família e justiça. Ao longo da vida, construímos relações, encontramos pessoas e deixamos marcas. E, como sociedade, precisamos assumir essa responsabilidade coletiva. Não existem eles e nós. Somos todos nós”, disse.
A psicóloga e diretora do Centro-Dia para idosos com Alzheimer de Volta Redonda, Danielle Freire, lembrou que cuidar também é informar, abrir espaços públicos para o desenvolvimento de pesquisas e aproximar o conhecimento da população. “Acima de tudo, é fundamental articular a rede de garantia de direitos. A política pública tem esse papel de ser articuladora, integradora e presente, especialmente quando falamos de uma agenda anti-idadista, que exige compromisso contínuo e ação em todos os territórios”.
Também estiveram presentes ao evento a subsecretária de Assistência Social de Volta Redonda, Larissa Garcez, o vereador de Barra do Piraí, Macrei Júnior e a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dina Frutuoso. (Foto: Divulgação)