Especiais
IBGE detalha habitação em favelas nas cidades da região
08/11/2024 13:42:08
Um suplemento do Censo 2022 divulgado nesta sexta-feira (8) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que o Brasil tinha, há dois anos, mais de 16 milhões de pessoas vivendo em 12.348 favelas localizadas em 656 cidades. O levantamento mostra que Angra dos Reis (foto) é a cidade com maior percentual de pessoas vivendo em favelas, considerando a Costa Verde e o Médio Paraíba Fluminense: são 43% dos habitantes.
Pelos critérios do IBGE, são classificados como favelas territórios com elevada concentração populacional, que se caracterizam por domicílios com insegurança jurídica da posse, ausência ou oferta precária de serviços públicos, predomínio de edificações, arruamento e infraestrutura construídos pela comunidade, localizados em áreas de risco ou com restrição à ocupação.
De acordo com os dados divulgados, Volta Redonda aparece em segundo lugar na pesquisa, com 13%, seguida de Piraí, com 10%. Em seguida estão Rio Claro (8%), Valença (6%), Barra Mansa (4%), Barra do Piraí (3%), Resende (1%), Engenheiro Paulo de Frontin (1%) e Vassouras (1%). Nas demais cidades não houve apontamento da existência de favelas.
O percentual apurado em Angra dos Reis supera a proporção encontrada na capital do estado – que tem a Rocinha como a maior favela do país, com mais de 72 mil habitantes. Embora seja a cidade com o maior número de favelas no Brasil (813), o percentual de moradores de nestas comunidades na cidade do Rio de Janeiro é de 21% da população.
Ainda conforme os critérios adotados pelo IBGE, Volta Redonda tem o maior número de favelas na região: 59, seguida de Angra dos Reis, com 55. Barra Mansa aparece em terceiro com 20. Em seguida vêm Itatiaia e Valença (8), Resende (4), Piraí (3), Rio Claro (2) e Paulo de Frontin, Vassouras e Mendes, com uma.
Os dados podem ser conferidos no site do IBGE. Até o Censo anterior, de 2010, o instituto adotava a expressão “aglomerados subnormais” para se referir às favelas. Os pesquisadores advertem que é preciso cuidado ao fazer a comparação entre 2010 e 2022, pois nesse intervalo de tempo aconteceram melhorias tecnológicas e metodológicas na identificação dos recortes territoriais.
“Quando a gente olha a variação de população, o aumento de território, sem essa crítica, o que pode parecer como um simples crescimento demográfico pode ser fruto, na realidade, de uma melhoria do mapeamento, das condições de classificações dessas áreas”, explica Letícia de Carvalho Giannella, analista do IBGE, ressaltando que os avanços técnicos resultaram no mapeamento de áreas não identificadas anteriormente e no ajuste de limites. Dessa forma, acrescenta a analista, “a comparação entre o resultado das duas pesquisas apresenta limitações e não deve ser realizada de forma direta”. (Foto: Prefeitura de Angra dos Reis / Divulgação)