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Cultura

Galeria de arte urbana conta história de Volta Redonda

22/11/2021 14:59:57

É como uma máquina do tempo, que nos remete à época de uma Volta Redonda recém-emancipada e que pouco lembra a de hoje em dia. Esse é o sentimento de quem passa pela passarela do Viaduto Nossa Senhora das Graças, que liga a Avenida Amaral Peixoto, no Centro, ao bairro Aterrado. O local ganhou a mostra fotográfica “Nossa História Passa Por Aqui”, com imagens antigas que contam uma parte da trajetória da cidade. A exposição tem atraído olhares curiosos e também nostálgicos.

Maria de Fátima Silva e a mãe, Conceição Cândido de Jesus, do Belmonte, se disseram encantadas com as fotografias. “Achei muito interessante. Parece que a gente volta no tempo mesmo. Lembro de algumas coisas de quando eu tinha 10, 11 anos”, comentou Maria de Fátima.

Já Conceição se lembrou de quando chegou a Volta Redonda. “Viemos de Ponte Nova (MG) e, quando cheguei aqui era desse jeito que está nas fotografias. Me recordo de que onde eu moro, o barro chegava até nas canelas. Meu marido dizia: ‘vai chegar o dia em que você vai atravessar e dar sinal para o ônibus’, eu não acreditava, mas hoje é isso que acontece. Por essas fotos vejo como a cidade melhorou”.

A galeria leva o nome do artista plástico Erastotenes Roberto Alves de Sousa, de Volta Redonda, falecido em 2009. O projeto prevê ainda a abertura de um palco para apresentação de música, sarau de poesia e teatro. Segundo o secretário municipal de Cultura, Anderson de Souza, o local foi projetado para que a população possa ter acesso à arte em locais abertos.

O missionário Renan Costa de Souza, popularmente conhecido como “Jesus é Paz”, que diariamente fica na passarela do viaduto, disse que tem sido testemunha da admiração das pessoas. 

“É uma inspiração dada por Jesus Cristo. Tudo o que o homem fizer, sempre é inspiração dele. As pessoas têm parado, visto, admirado, gostado muito. Eu mesmo observo algumas fotos e é uma volta ao passado. Quando vejo as imagens me lembro que já estive falando de Jesus nesses locais, evangelizando”, comentou.

O aposentado Antônio Jorge contou que estava curioso em ver a galeria urbana e elogiou a iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura. “É uma nostalgia. Ficou muito bom. Deu um significado para a passarela. É também um respeito aos trabalhadores que por aqui passam”, considerou.

A galeria conta com a curadoria da arquiteta e artista plástica Juliene de Paula. A exposição de fotografias é apresentada por meio de 47 painéis fixos na estrutura da passarela. Os painéis de 100 x 50cm foram confeccionados com material reciclado da própria prefeitura. O acervo fotográfico pertence à prefeitura municipal e alguns registros foram feitos pelas lentes do fotógrafo Geraldo Gonçalves.

 “É a primeira vez que passo por aqui com a galeria. Nem sabia que tinha. Parei até para olhar. Isso é muito lindo. Nos tempos antigos era muito bom. Hoje ninguém dá bola para essas fotos, propagandas. Achei tudo muito lindo mesmo”, afirmou Eni Martins, moradora do Retiro.

O telhado da passarela já havia ganhado novas cores no meio do ano, quando o artista visual Roberto Tommy fez um graffiti representando o pássaro Arigó, ave de migração que faz parte da história de Volta Redonda. A seleção do artista foi por chamamento público. (Foto: Divulgação)

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