Especiais
Fraudes do Pix foram um dos golpes mais comuns no Brasil em 2025
29/01/2026 14:39:32
O ano de 2025 consolidou uma tendência preocupante no Brasil: o Pix, por ser instantâneo e amplamente adotado, virou também o alvo preferido de golpistas em uma onda de fraudes digitais.
Um levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública dimensiona o tamanho do problema: entre julho de 2024 e junho de 2025, 24 milhões de cidadãos caíram em golpes financeiros envolvendo Pix ou boletos bancários.
As transações via Pix são realizadas em segundos e estão disponíveis em tempo integral. Isso é ótimo… até virar vantagem para criminosos. A característica que usuários e pequenos negócios adoram nesse modelo de pagamento é a mesma que tem sido explorada pelos golpistas: a rapidez. Quando a vítima percebe que fez uma transferência indevida, o dinheiro muitas vezes já “andou” por contas intermediárias (as famosas contas laranja), dificultando o rastreio.
No pano de fundo, há um crescimento geral de golpes digitais: phishing, fraudes via WhatsApp, falsa central de atendimento e roubo de identidade são alguns dos tipos que aparecem com mais frequência em relatórios e levantamentos citados no Brasil.
A maioria dos golpes não começa com uma invasão hacker, mas sim com uma conversa. É aí que entram as táticas mais recorrentes.
Os golpes muitas vezes não são praticados a partir de técnicas ou tecnologias avançadas, mas sim incorporados a situações do cotidiano. O criminoso cria um contexto que desarma a vítima: “houve tentativa de invasão”, “sua conta está em risco”, “precisamos confirmar agora”, “pague uma taxa para manter sua conta segura”, entre outras estratégias que visam uma ação imediata da vítima.
Isso pode explicar um pouco do aumento no uso do Pix como canal de aplicação de golpes no Brasil, em que criminosos usam esse meio para induzir ações rápidas, como transferir dinheiro, “testar” Pix, clicar em link maliciosos, informar código, entre outros.
Esse é um golpe conhecido: alguém liga ou manda mensagem se passando por banco, operadora, marketplace ou até “suporte de segurança”. Muitas vezes, alegam invasão/clonagem e pedem dados, senhas, tokens ou orientam a vítima a realizar transferências “para proteger a conta”.
Este tipo de fraude também é chamado de “spoofing social”. Aqui, o criminoso se passa por alguém conhecido e pede Pix com uma história rápida. Alguns dos pretextos são: “troquei de número”, “urgência”, “preciso pagar agora”.
Esse golpe aparece com frequência em listas de fraudes do ecossistema Pix e é particularmente eficaz porque se apoia em confiança e em distração rotineira.
Uma fraude bastante comum em vendas entre pessoas (ou em pequenos comércios) é essa: o golpista mostra um print/recibo forjado e exige a liberação do produto/serviço. Quando a vítima cede à pressão, vem o prejuízo. O mais desafiador nessa modalidade de golpe é o fato de que atualmente há inclusive aplicativos para forjar recibos e simular transações.
Algo que antecede os golpes é entrar no radar dos cibercriminosos. É muito fácil se tornar uma vítima de crime virtual devido à grande quantidade de informações sensíveis deixadas expostas na internet diariamente, como endereço de e-mail, nome completo e até mesmo dados bancários, compartilhados em formulários online.
Para reduzir essa vulnerabilidade, mudanças de hábitos virtuais e adoção de recursos de proteção online, como o uso de uma VPN, são fundamentais. Fechar o perfil de redes sociais para estranhos, compartilhar menos fotos, imagens e textos revelando detalhes pessoais e até familiares, amigos e localizações rotineiras são hábitos digitais eficazes.
Usar uma VPN ao se conectar online também é uma medida valiosa. Apesar de não impedir que alguém seja enganado por engenharia social, a VPN aumenta consideravelmente a privacidade e a proteção online. A aplicação de criptografia a todas as interações virtuais e o direcionamento do tráfego por servidores privados evitam a identificação de dados de navegação e a interceptação de dados por agentes maliciosos.
Dessa forma, criminosos virtuais têm maior dificuldade em construir o perfil de suas vítimas, entendê-las e explorar suas fraquezas. A única ressalva é sempre comparar VPN grátis versus VPN paga antes de contratar o serviço.
Além de as opções pagas geralmente terem velocidade e protocolos de segurança superiores, muitas VPNs gratuitas podem financiar o serviço coletando dados, exibindo anúncios agressivos ou mantendo políticas pouco transparentes – o que vai na contramão do objetivo de reduzir rastreio e exposição online.
Para a pessoa física, o dano vai além do prejuízo: vem a sensação de vulnerabilidade e a perda de confiança nos pagamentos digitais.
Para pequenos negócios, golpes como o do comprovante falso e o “cliente apressado” são devastadores: a mercadoria sai, mas o dinheiro não entra. Além disso, o tempo gasto com contestação, BO, suporte bancário e tentativa de recuperação vira custo operacional — exatamente o tipo de perda que microempreendedores menos conseguem absorver.
Para além da conduta pessoal, o poder público não está inerte para reduzir danos coletivos. O Banco Central vem reforçando mecanismos de resposta e devolução, com destaque para o Mecanismo Especial de Devolução (MED). A lógica é simples: em casos comprovados de fraude, golpe ou coerção, bancos podem bloquear valores e tentar devolver à vítima – exceto em casos de desacordo comercial ou envio para a pessoa errada.
A regra foi atualizada para permitir rastrear valores mesmo quando o dinheiro “migra” para outras contas, e a funcionalidade passa a ser obrigatória para todas as instituições a partir de 2 de fevereiro de 2026.
No fim, o combate aos golpes de Pix se sustenta sobre mais de um pilar: tecnologia (como MED), fiscalização e cidadãos informados. O Banco Central sempre será o responsável pelas grandes mudanças do sistema Pix, mas, quanto mais usuários e negócios adotarem rotinas simples de verificação e segurança, menor será o lucro do crime.
Este é um artigo de responsabilidade do autor, Guilherme Figueiredo, e não reflete a opinião do FOCO REGI0ONAL