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Eles não podem parar
28/03/2020 10:50:23
Há dois anos e nove meses, Cintia Cristina Pimentel, de 33 anos, varre ruas de Volta Redonda. Contratada pela empresa que presta este serviço à cidade, como todo mundo ela teve sua rotina alterada por causa da pandemia de coronavírus. A diferença é que, ao contrário da maioria da população, ela não pode ficar em casa. O serviço não pode parar.
“A firma liberou as pessoas que estão nos grupos de riscos. Os demais têm que trabalhar, lembra Cintia, que, ao lado da colega Elisiane Aparecida da Silva, de 36 anos, varre ruas nos bairros Jardim Amália II e Água Limpa, onde trabalhava na manhã deste sábado.
Cintia e Elisiane fazem parte das categorias que prestam serviços essenciais e que, mesmo expostos ao risco de contrair a Covid-19, não podem parar. É o caso dos profissionais da área de saúde, das forças de segurança e daqueles que atuam em segmentos do comércio e serviços, como supermercados, postos de combustível e transporte coletivo, que estão autorizados a funcionar neste período de confinamento a que a população está submetida para evitar a expansão do vírus.
Moradora do Retiro e mãe de três crianças, Cintia não demonstra receio de estar nas ruas. Sabe da importância da sua atividade, mas reclama do transporte. “A minha preocupação é só com o ônibus. Hoje peguei o que faz a linha do [bairro] São Sebastião e estava superlotado. Tomei um banho de álcool quando saí do ônibus”, contou.
A pandemia reduziu um pouco a jornada de trabalho dos varredores, que em tempos normais vai de 7 às 15h20min. Agora, eles precisam apenas encerrar o serviço na área onde atuam e estão liberados. “Estamos trabalhando direto parta terminar o setor o mais rápido possível. Também evitamos aglomerações”, diz Elisiane, que mora no Santo Agostinho e, para evitar o transtorno de ônibus lotado, vai à pé do Santo Agostinho, onde mora, até o bairro onde vai trabalhar no dia.

No Hospital São João Batista, onde foi confirmada a primeira morte de um paciente por Covid-19, a técnica de enfermagem Luziete de Faria, de 37 anos, é uma das profissionais de saúde em atividade. Medo? Não. Mais precaução, sim.
“Eu, particularmente, me sinto privilegiada numa situação destas e agradeço a Deus por me dar a graça de poder ajudar neste momento. Tenho amor pela profissão”, afirma Luziete, mãe de um menino de 6 anos. Ela e a criança moram com a mãe, de 60 anos: “A preocupação existe, mas a gente que trabalha na saúde já tem hábitos de prevenção, já é uma rotina, então, o que estamos fazendo agora é só aumentando esta prevenção”.