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Estado

Defensor de tratamento precoce da Covid-19, infectologista preside comitê científico do estado

VR adotou procedimento sugerido por ele no governo Samuca, mas estado nega intenção

14/04/2021 20:46:18

O infectologista Edmilson Migowski, responsável pelo programa de tratamento precoce a pacientes com sintomas leves de Covid-19 em Volta Redonda, no governo de Samuca Silva, no ano passado, foi nomeado presidente de um comitê de apoio científico criado pelo governo do estado do Rio para políticas de enfrentamento à pandemia. Apesar dele e de outros membros do comitê serem favoráveis à medida, o governo do estado informou, em nota divulgada na noite desta quarta-feira (14), que é “ilação dizer que este comitê promoverá políticas de tratamento precoce”.

Na mesma nota, que em “reitera o respeito à ciência”, o governador em exercício Cláudio Castro negou que o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, não tivesse conhecimento da criação do comitê, que ocorreu na última segunda-feira (12). Um dia depois da criação do grupo, o secretário disse, em entrevista coletiva no Rio, que não teve participação na formação do comitê e nem sabia que seria criado. “Eu sou técnico e não me envolvi nisso”, afirmou.

A UFRJ (Universidade Federal do Rio de janeiro), também em nota, afirma não ter indicado o infectologista – que trabalha na instituição – para o governo do estado. “Na UFRJ ele não é médico. Não temos protocolos com medicação precoce em nossos hospitais”, acrescentou.

NITAZOXANIDA - Edmilson Migowski é pediatra e, segundo a universidade, é ligado ao Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira da UFRJ. Ele defende o uso do vermífugo nitazoxanida no tratamento prévio para sintomas da Covid-19. Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde – apesar do apoio do presidente Jair Bolsonaro ao tratamento precoce – decidiu não incorporar a nitozaxanida no tratamento da doença.

O uso do vermífugo em Volta Redonda foi feito a partir de meados do ano passado, através de um convênio firmado pela prefeitura com a UFRJ. Nos meses seguintes, o governo destacou com frequência os “bons resultados” da medicação precoce.

O uso do medicamento, no entanto, foi suspenso em janeiro deste ano pela Secretaria Municipal de Saúde, após Antônio Francisco Neto assumir o cargo de prefeito, por não haver comprovação científica de sua eficácia no tratamento contra Covid-19. Antes, no final de 2020, ao responder uma consulta da prefeitura de Piraí, a direção da UFRJ já havia afirmado que o escopo do convênio da instituição com Volta Redonda não previa tratamento precoce contra a Covid-19.

Veja a íntegra da nota do governo do estado:

Quanto ao decreto 47.564 publicado em Diário Oficial no dia 12 de abril, que cria o comitê de apoio científico para políticas públicas de enfrentamento à Covid-19, o Governo do Estado do Rio de Janeiro esclarece:

1. O referido comitê, composto por renomados profissionais e pesquisadores, terá como função o contido no artigo 2º do decreto:

a. Monitorar e avaliar o desempenho do SUS no âmbito do Estado do Rio de Janeiro;

b. Acompanhar, por meio de relatórios e indicadores, as atividades de vigilância, de atenção à saúde, de prevenção e de controle de doenças;

c. Elaborar recomendações de forma a obter o constante aperfeiçoamento das ações de proteção à vida.

2. É ilação dizer que este comitê promoverá políticas de tratamento precoce. Em seu artigo 1º, o próprio decreto diz "prevenção e controle da doença".

3. Contudo, é de conhecimento público que o Governo do Estado já investiu mais de R$ 89 milhões em pesquisas, por meio da FAPERJ, apoiando pesquisadores de instituições como UERJ, UFRJ, LNCC, Instituto D’Or, PUC, entre outras, na busca pelas melhores práticas científicas de tratamento contra a Covid-19.

4. É importante esclarecer que o secretário estadual de Saúde, Carlos Alberto Chaves, sempre teve conhecimento da criação do comitê, o qual está dentro da estratégica de enfrentamento à Covid-19.

5. É importante frisar que este comitê não está subordinado à Secretaria de Estado de Saúde, já que o tema tem repercussões que extrapolam os limites delegados à pasta, havendo a necessidade de ampliação do escopo de trabalho e debates.

6. O Governo do Estado reitera o respeito à ciência, às boas práticas clínicas e, sobretudo, o reconhecimento aos milhares de pesquisadores espalhados pelo mundo que estão se dedicando na busca por soluções e alternativas para o enfrentamento à Covid-19.

7. Segue, abaixo, um breve currículo dos membros do comitê:

Coordenador

- Edimilson Migowski, médico infectologista, pediatra e professor da UFRJ.

Membros

- Francisco Cardoso, médico infectologista.

- Eduardo Lucas, médico da Estratégia da Saúde da Família.

- Bruno Campello, psicólogo, professor da UFPE e especialista em lockdown.

- Guili Pech, cardiologista e arritmologista.

- Rafael Cisne, fisioterapeuta, professor associado da UFF e doutor em Ciências Biológicas.

- Raphael Rangel, biomédico, mestre especializado em virologia e doutorando com foco em Covid-19.

- Fábio Pereira Mesquita dos Santos, biomédico e especialista em farmacologia e imunologia.

- Fernando Menezes Campello de Souza, doutor em Engenharia Elétrica e especialista em tomada de decisões.

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