Estado
Castro anuncia renúncia ao governo do Rio um dia antes de retomada de julgamento no TSE
Saída ocorre em meio a julgamento que pode torná-lo inelegível por até 8 anos
23/03/2026 20:14:47
Cládui castro renunciou nesta segunda-feira (23), no fim da tarde, ao cargo de governador do estado do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito na véspera da retomada do julgamento dele no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que poderia levar à cassação de seu mandato e à declaração de inelegibilidade.
A cerimônia de encerramento do mandato foi realizada no Palácio Guanabara, sede do governo estadual. A saída ocorre em meio à crise política provocada pelo processo na Justiça Eleitoral e abre caminho para a realização de uma eleição indireta na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), que escolherá um novo governador para cumprir o mandato-tampão até o fim de 2026. Até lá, o governador interino será o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro.
No evento de despedida, entretanto, Castro disse que sai "em busca de novos projetos". Ele é pré-candidato ao Senado federal. “Saio com a cabeça completamente erguida. Saio com a minha maior aprovação, saio, segundo as pesquisas de opinião, liderando todas as pesquisas para o Senado. Mas, acima de tudo, saio extremamente grato a Deus", disse ele.
Ao anunciar a saída, Castro enumerou o que classificou de feitos de seu governo na segurança pública, como ter realizado "a maior operação do mundo", em aparente referência a operação com 121 mortos no Complexo do Alemão no ano passado; viaturas blindadas e valorização dos policiais.
Para concorrer ao Senado, Castro poderia renunciar até o dia 4 de abril. No entanto, a renúncia já foi anunciada nesta segunda. O Tribunal Superior Eleitoral já tem dois votos a zero para condená-lo por abuso de poder econômico e político no escândalo do Ceperj. Ainda vão votar cinco ministros do TSE. O ex-governador pode alegar que não está mais no cargo e que, por isso, o julgamento para cassá-lo perderia o sentido.
No entanto, o Ministério Público Eleitoral também pede a inelegibilidade. Por isso, alguns especialistas consideram que a medida pode não ter efeito prático, a não ser protelar uma eventual condenação. Com informações do g1. (Foto: Divulgação)