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Economia

Eletronuclear cria estrutura organizacional para operação de Angra 3

15/08/2012 17:32:31

Desde o início deste mês está em atividade a Superintendência de Angra 3. A nova unidade organizacional foi criada para refletir a evolução da implantação da terceira usina nuclear brasileira. Subordinada à Diretoria de Operação e Comercialização da Eletrobras Eletronuclear, a área será capitaneada pelo engenheiro Ricardo Luís Pereira dos Santos, que já atuava como coordenador da implantação da operação da usina. Ele terá como adjunto o engenheiro Frederico Guilherme Roedel. Além disso, foi criada a Gerência de Operação de Angra 3, que terá à frente o engenheiro Walber Zanotti Vieira.

Para Ricardo Santos, a criação da superintendência proporciona a autonomia necessária à efetivação das ações que compõem o planejamento de implantação da operação da usina, que, por sua vez, incorpora as melhores práticas da indústria mundial. “Angra 3 já é composta por 266 empregados e o estabelecimento da estrutura organizacional formal possibilitará a gestão adequada dos recursos, sendo uma medida fundamental para o sucesso da operação da usina”, frisa.

Uma vez concluída, Angra 3 deverá contar com o acréscimo de, aproximadamente, 500 trabalhadores no seu quadro funcional, sendo que boa parte deles altamente especializada, atendendo às necessidades de mão-de-obra qualificada, uma das características do setor de geração de energia nuclear.

Ficou estabelecido, ainda, o cronograma de criação das demais áreas que atuarão junto ao empreendimento. A Gerência de Manutenção de Angra 3, diretamente subordinada à Superintendência de Manutenção, será implantada por ocasião do início da montagem eletromecânica da unidade, prevista para dezembro deste ano.

Já a Gerência de Desempenho de Sistemas e de Reator de Angra 3 e as divisões de Controle de Trabalho e de Química entram em vigor em maio de 2013. Essa data corresponde a seis meses antes do início do comissionamento da usina, previsto para novembro de 2013.

Novo cronograma

A expectativa da Eletronuclear é que a usina nuclear Angra 3 comece a produzir energia elétrica em julho de 2016. A previsão anterior era dezembro de 2015, mas a empresa, no momento, estima que haja um atraso de sete meses para o inicio de operação comercial da planta.

Essa avaliação preliminar do cronograma do empreendimento deve-se, principalmente, à diferença entre a data planejada originalmente para o início da montagem eletromecânica (maio de 2012) e a previsão atual (dezembro de 2012). A licitação para a contratação dos serviços de montagem eletromecânica – principal concorrência em andamento – apresenta atrasos, motivados por recursos e impugnações interpostos por empresas participantes do pleito, bem como por reclamação de concorrente não habilitado na fase de pré-qualificação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).

Investimentos

O empreendimento Angra 3 está aquecendo a indústria nacional, segundo a Eletronuclear. Até 2011 foram investidos R$ 1,4 bilhão, entre custos diretos e indiretos. Em 2012, o plano da empresa era injetar R$ 2,07 bilhões em Angra 3, mas, devido aos atrasos no processo de concorrência para os serviços de montagem eletromecânica, esse valor ficará em nível inferior ao originalmente planejado.

A construção está em fase de obras civis, com cerca de 70 mil metros cúbicos de concreto estrutural já executados – o que representa aproximadamente um terço do progresso das obras civis até julho deste ano. O empreendimento demandará investimentos totais diretos de cerca de R$ 10 bilhões, sendo que aproximadamente 70% desses gastos serão efetuados no Brasil.

No momento, a Eletronuclear conta com uma linha de financiamento do BNDES no montante de R$ 6,1 bilhões para a aquisição de equipamentos nacionais e contratações de serviços de engenharia. Outros R$ 890 milhões estão sendo financiados pela holding Eletrobras, com recursos do fundo da Reserva Global de Reversão (RGR). A engenharia financeira do empreendimento também contava com financiamento externo da ordem de 1,3 bilhão de euros para a aquisição de equipamentos importados.

No entanto, tendo em vista o cenário econômico mundial e a atual saúde financeira nacional, a alavancagem do empreendimento através de financiamento internacional perdeu sua atratividade, razão pela qual o BNDES concederá outra linha de financiamento para a cobertura desses dispêndios externos.

Mão de obra

A construção de Angra 3 também movimenta o mercado de trabalho da região da Costa Verde, no litoral Sul do estado, onde está instalada a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto (CNAAA). Atualmente, cerca de 3,5 mil profissionais estão trabalhando no canteiro de obras, sendo que 80% são moradores da região circunvizinha à Central Nuclear, segundo dados de junho. Esse efetivo tende a aumentar neste segundo semestre de 2012, devido à mobilização das empresas que executarão os serviços de montagem eletromecânica.

No período de maior movimentação no canteiro de obras, a estimativa é que sejam criadas cerca de nove mil novas vagas. A Eletronuclear avalia que esse contingente poderá ser ainda maior. Poderá gerar outras 15 mil novas vagas em empregos indiretos, incluindo os que serão criados pelas empresas fornecedoras de peças e equipamentos, bem como pelo previsível aumento da demanda por bens e serviços.

Licenciamento e autorizações

Angra 3 já obteve todas as autorizações necessárias. No que se refere aos aspectos ambientais, em julho de 2008, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) concedeu a Licença Prévia da Usina Angra 3 e, em março de 2009, o órgão emitiu a Licença de Instalação nº 591/2009 da Usina Termonuclear (UTN) Angra 3.

Na esfera municipal, a prefeitura de Angra dos Reis também concedeu o Alvará de Licença para construção da usina. Essa licença estava condicionada às negociações sobre as compensações socioambientais a serem aplicadas em contrapartida. Cerca de R$ 150 milhões serão investidos em Angra dos Reis, em seis anos, nas áreas de educação, saúde, defesa civil, ação social, obras e serviços públicos, atividades econômicas, água e esgoto, cultura e meio ambiente.

Em relação ao licenciamento nuclear, a Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) já autorizou a retomada formal das obras de construção da Usina.

Aspectos técnicos

Angra 3 será a terceira usina da Central Nuclear, localizada na praia de Itaorna, em Angra dos Reis. Quando entrar em operação comercial, a nova unidade, com potência de 1.405 MW, será capaz de gerar mais de 10 milhões de MWh por ano, energia suficiente para abastecer as cidades de Brasília e Belo Horizonte durante o mesmo período.

Como será uma usina similar a Angra 2, a maior parte do projeto de engenharia a ser adotado para a nova usina já está disponível. Além disso, a experiência adquirida com a construção da segunda unidade revelou a capacidade técnica das empresas brasileiras em atender às necessidades da indústria nuclear, um fator decisivo para os futuros empreendimentos. A principal diferença entre Angra 2 e Angra 3 é que esta terá um sistema de instrumentação e sala de controle digitais, em substituição à analógica do contrato existente. Além disso, será erguida sobre rochas, enquanto sua irmã gêmea foi construída sobre estacas escavadas.

Grande parte dos equipamentos (os principais componentes mecânicos da usina, a chamada “ilha nuclear”) também já foi adquirida no mercado internacional, encontrando-se atualmente em perfeitas condições de uso para permitir uma operação confiável e segura da nova usina. Tratam-se dos mesmos materiais utilizados nas mais recentes unidades construídas na Alemanha (da série Konvoi, que têm apresentado o melhor desempenho operacional em todo o mundo).

 

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