Economia
BNDES pode entrar com R$ 4 bilhões para CSN comprar CSA, diz jornal
29/01/2013 18:22:03Para apoiar a CSN em seu plano de aquisição dos ativos de aço do grupo alemão ThyssenKrupp no Brasil e no Estados Unidos, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por meio de seu braço de participações BNDESPar, poderá aportar até R$ 4 bilhões no negócio. A notícia foi divulgada nesta terça-feira pelo jornal Valor Econômico, citando fontes próximas das negociações entre o banco e a empresa. A operação de venda, conduzida por dois grandes bancos de investimentos, está prevista para ser fechada neste trimestre, segundo a publicação.
O aporte do banco é a forma encontrada para viabilizar o projeto de Benjamin Steinbruch, controlador da CSN, que estaria disposta a desembolsar US$ 3,8 bilhões (quase R$ 8 bilhões) pela ThyssenKrupp Steel Americas (TKSA), holding que controla os dois negócios siderúrgicos. A BNDESPar entraria como sua sócia na compra da TKSA.
Segundo o Valor, o apoio com capital do banco é fundamental para evitar que o negócio comprometa o perfil financeiro da CSN. Conforme cálculos de analistas, a relação entre dívida líquida e resultado operacional (Ebitda - lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) alcançaria índice acima de cinco vezes se desembolsar 100% do valor da compra. No fim de setembro, a relação era pouco superior a três vezes.
Aquisição, seguida de fusão, daria à CSN mais de 60% de uma nova companhia; o BNDES teria em torno de 30%
A reportagem do Valor recorda que, no fim de setembro de 2012, a CSN tinha R$ 15 bilhões em caixa, porém, com um endividamento bruto de R$ 30 bilhões. A dívida líquida, avaliam, daria um grande salto com a aquisição, deixando os investidores em ações da CSN incomodados.
Segundo as fontes do jornal, a direção do BNDES acatou a proposta de apoio à CSN, que foi bem recebida no governo. O argumento é que permitirá nacionalizar um ativo siderúrgico do país hoje sob controle de capital estrangeiro. É o contrário do que ocorreu com a antiga CST e a Acesita, em 1998, que acabaram em poder de um grupo francês que depois se foi vendido para a Mittal.
Outro exemplo é a Usiminas: a entrada dos argentinos da Techint, somada com a participação dos japoneses, consolidou o controle de grupos estrangeiros na empresa. Em ambos os casos, a CSN tentou comprar os ativos, mas saiu derrotada.
Segundo o Valor Econômico, no entanto, na área técnica do BNDES não há muito entusiasmo com a operação de apoio à CSN. A relação de Steinbruch com o banco estaria estremecida desde 2006, quando a Vicunha Siderurgia (holding que controla a CSN) processou o banco em uma operação de conversão das debêntures da Vicunha, emitidas durante o descruzamento societário com a Vale. O jornal ressalta, porém, que o litígio não é empecilho para comprar a TKSA. Segundo o Valor, o BNDES e a CSN informaram que não comentam a respeito do assunto.
A CSA, usina de aço semiacabado (placas) da ThyssenKrupp, localizada em Santa Cruz, no Rio, tem capacidade de cinco milhões de toneladas por ano. A laminadora de chapas automotivas de alto padrão do Alabama, no sul dos EUA, está apta a fornecer mais de quatro milhões de toneladas por ano, tendo como mercado-alvo várias montadoras de automóveis. Os dois ativos foram colocados à venda em maio de 2012, após elevados prejuízos sofridos devido ao alto custo de instalação e ao momento ruim da siderurgia no mundo. Para montar esses ativos, o grupo alemão gastou US$ 12 bilhões.
SEPARAÇÃO – Ainda de acordo com o Valor, o modelo da operação envolve a separação dos atuais ativos de aço da CSN - as usinas de Volta Redonda e da Alemanha e as laminadoras nos EUA (em Indiana) e em Portugal. Essas unidades passariam a compor uma nova empresa, a "CSN Siderurgia", que depois seria incorporada pela CSA. Essa operação tem como objetivo se apoderar dos elevados créditos fiscais com os prejuízos acumulados pela siderúrgica.
Como resultado dessa fusão, que não envolveria a mina de ferro Casa de Pedra, a CSN ficaria controladora com cerca de 60% do capital da nova empresa. A BNDESPar teria em torno de 30% e a Vale (dona de 27% da CSA), uma participação minoritária.
A reportagem do Valor cita também que, em princípio, o desenho da operação não agrada a Vale. A CSN é vista como uma concorrente direta da empresa por ser também mineradora. A Vale tem direito de vetar um concorrente na operação de venda da CSA, mas pode mudar de ideia caso seja convencida por escalões superiores do governo do benefício do apoio do banco para o setor industrial do país.
O BNDES é credor de R$ 2,4 bilhões da CSA, em empréstimos realizados em 2007 e 2010, ano em que iniciou a operação, depois de seguidos atrasos nas obras de instalação da usina.