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Acervo valioso da história de VR
Família de Waldyr Bedê preserva documentos deixados por ele, como depoimentos de personalidades

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Waldyr Bedê: Ele se preocupava em preservar a memória de Volta Redonda

Um acervo de importância histórica para Volta Redonda permanece guardado pela família do professor e sociólogo Waldyr Bedê, decorridos pouco mais de três anos de sua morte. A família, no entanto, quer preservar o material e para isso está à procura de "uma instituição séria", frisa a viúva Mariza Bedê, para que não haja risco de ser perder registros importantes obtidos pelo professor. Nos arquivos pessoais deixados por ele, estão documentos raros, como o Plano Siderúrgico Nacional, de agosto de 1941.

Trata-se de um relatório encaminhado ao presidente Getúlio Vargas, poucos meses depois da entrada em operação da Usina Presidente Vargas, em Volta Redonda. O relatório é assinado por Guilherme Guinle, presidente da comissão executiva nomeada por Vargas para realizar os estudos destinados à implantação da siderurgia no Brasil e menciona os motivos que levaram o governo federal a escolher o então distrito de Barra Mansa para receber o empreendimento. Em tempos beligerantes, foi levado em consideração até mesmo o fato de a usina, sendo erguida em Volta Redonda, ficar mais protegida de eventuais ataques aéreos.

Após a morte de Waldir, cerca de quatro mil livros de sua biblioteca particular já foram doados. Uma parte foi para a Ferp (Fundação Educacional Rosemar Pimentel), outra para a escola municipal que leva seu nome, em Santa Rita do Zarur, e o restante, para a Biblioteca Municipal. "Restou ainda um material muito vasto, que precisa ser levantado e catalogado. É muita coisa que não se pode perder", diz a viúva.

A professora tem razão. Primeiro presidente do Conselho Municipal de Cultura, que ele criou, em 1985, Waldyr Bedê organizou uma série de entrevistas que foram gravadas com personalidades da vida política, social e educacional de Volta Redonda.

Todas as entrevistas foram transcritas e estão registradas em dois volumes que, avalia Mariza, daria "uns três livros". Entre os entrevistados está um dos líderes da emancipação e primeiro prefeito de Volta Redonda, Sávio Gama. Num trecho, ele conta que foi alvo de um protesto de barramansenses inconformados com a emancipação do distrito. Eles chegaram a promover seu enterro simbólico no Centro de Barra Mansa. Há outras entrevistas, como de Orsina Prado (primeira mulher eleita vereadora), João Ravache (que era engenheiro e dá nome ao viaduto ligando a BR-393 à Vila Santa Cecília) e o general Edmundo de Macedo Soares e Silva, que participou ativamente da instalação da CSN.

Empenhado na preservação da memória do município, Waldyr Bedê dedicou boa parte do seu tempo a conseguir cópias do primeiro jornal impresso a circular em Volta Redonda. "O Lingote" era editado pelo Departamento de Imprensa e Divulgação da CSN. A princípio, a publicação era bimensal, passando depois a sair uma vez por mês. Bedê morreu antes de completar sua tarefa: numa folha de papel, ele deixou escrito à mão os exemplares que faltavam – poucos, levando-se em conta que foram pelo menos 300 edições.

O acervo do professor tem ainda poesias de sua autoria, que a família também quer transformar em livros, além de recortes de jornais dos tempos em que Bedê presidiu a Undime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação) e trabalhou com Darci Ribeiro na formulação do novo estatuto do magistério. Em 1988, por exemplo, o jornal Correio Braziliense dedicou um grande espaço ao professor, que na época defendia até a extinção do Ministério da Educação, pois, na sua opinião, o Brasil só formava analfabetos. Bedê criticava a corrupção no ministério e era a favor da elaboração de um plano de emergência para a educação no país. Vale a pena, de fato, preservar tudo isso.

 

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SEX, 10/9/2010

 

 

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