Foco Regional - ‘Não estamos desmerecendo Barra Mansa’
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Publicada na edição 456
 
‘Não estamos desmerecendo Barra Mansa’
Secretário diz que edital deu aos municípios oportunidade de concorrerem à parada do trem-bala

Foco Regional
Jessé Júnior: ‘Se já estivesse definido, não haveria porque Volta Redonda se apresentar’

Entrevista - Jessé de Hollanda Cordeiro Júnior – Secretário de Desenvolvimento de Volta Redonda

A última audiência pública sobre o trem-bala, promovida no final de janeiro pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), em Barra Mansa, significou mais um capítulo de uma disputa particular travada da cidade com Volta Redonda pela estação do trem na região Sul Fluminense, que ainda não foi oficialmente definida. Nesta entrevista, o secretário de Desenvolvimento Econômico de Volta Redonda, Jessé de Hollanda Cordeiro Júnior, que participou do evento e surpreendeu a direção da ANTT e as autoridades de Barra Mansa, com a exibição de um vídeo em que a cidade do aço se candidata a receber a estação, diz que o poder público está apenas cumprindo a sua função, sem desmerecer Barra Mansa. Ele, aliás, não duvida de que, após conhecido o consórcio vencedor, até outra cidade possa ser escolhida para ter a estação.

FR – Apesar de os estudos técnicos sugerirem que a parada do trem-bala seja em Barra Mansa, por que Volta Redonda insiste em ter a estação?

JH – Desde os primeiros estudos que a ANTT apresentou, eles nunca colocaram a parada em Barra Mansa de forma definitiva. No próprio site (tavbrasil.org.br), se você olhar os traçados, vai ver que está lá: "Barra Mansa/Volta Redonda". No edital que foi apresentado, consta que o consórcio vencedor escolherá uma cidade na região do Vale do Paraíba fluminense. Isso demonstra que nossa cidade, assim como Resende, pode sonhar, e também Porto Real, que está correndo por fora. Nós entendemos de forma muito clara que, por mais que venha para Barra Mansa, Resende ou Porto Real, a região toda ganha. Mas Volta Redonda, por uma questão de seriedade, para dar uma satisfação aos munícipes, que perguntam por que (a estação) não vai ficar em Volta Redonda, entendeu que precisava ter algumas estratégias. Então foi desenvolvido a pedido do prefeito (Antônio Francisco Neto) um projeto. A região do Roma, na entrada da cidade, com a abertura da Rodovia do Contorno, tem importância estratégia que favorece a estação ficar ali. Apresentamos esta estratégia como uma contribuição à ANTT. Se ficar em Barra Mansa, ótimo, a região toda ganha. E se ficar em Volta Redonda ficaremos muito felizes de poder abrigar este grande investimento do país.

FR – Como é que o senhor vê o fato de, para muitos barramansenses, essa iniciativa de Volta Redonda soar como uma possibilidade de atrapalhar o desenvolvimento de Barra Mansa?

JH – Pelo que a gente tem conversado com os diretores da ANTT a escolha é técnica. Se fosse pela vontade popular, faria-se uma eleição e as cidades se mobilizariam. Nunca foi uma decisão popular. Mais uma vez: o que o consórcio vencedor vai analisar é: a cidade comporta uma movimentação capaz de atender a entrada e saída de passageiros? Existe possibilidade de se desenvolver?. O modelo coreano, por exemplo, prefere escolher locais menos desenvolvidos para que a região escolhida se desenvolva. Em hora nenhuma pretendemos desrespeitar o cidadão barramansense. Pelo contrário. Estou há pouco tempo na área pública e tenho um carinho muito grande pelo prefeito Zé Renato, por suas atitudes. Eu mesmo falei com ele, na audiência pública, que a própria ANTT deu aos municípios o direito de se manifestarem. Se o edital dissesse que vai ser em Barra Mansa, não haveria por que Volta Redonda se apresentar. O edital diz que os primeiros estudos apresentam Barra Mansa como candidata, assim como Volta Redonda. Mais uma vez convido todos a verificarem no site. Como o prefeito Neto poderia abrir, por exemplo, o FOCO REGIONAL da semana que seguinte à audiência pública e ver que o município de Volta Redonda não apresentou nenhuma proposta? Como ele iria explicar aos cidadãos de Volta Redonda que simplesmente não apresentamos nenhuma proposta, sendo que existe esta indefinição? Acho que é preciso entender que o processo é democrático. As reclamações fazem parte do processo, da mesma forma que ocorreria se fosse o inverso. Temos que saber ganhar e saber perder. Nossa apresentação em vídeo foi técnica, mostrando o que temos de bom e não para não fazer a estação em Barra Mansa. Resende também apresentou suas considerações no mesmo dia. Tive oportunidade de dizer isso ao Zé Renato, ao Roosevelt (Brasil, assessor de Captação de Recursos de Barra Mansa) e ao presidente da Associação Comercial da cidade. Até porque, hoje vemos no Cismepa, nosso consórcio da saúde, um relacionamento muito bom. E agora criamos o consórcio de segurança com Barra Mansa. O relacionamento dos 12 municípios está excelente e acho que só vai melhorar.

FR – Por falar em Aciap, como fica a participação das entidades empresariais de Volta Redonda neste processo ?

JH – Esta semana estamos fazendo uma grande reunião com a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas), a Aciap e o Sicomércio (Sindicato do Comércio Varejista) para conversar com eles para que o assunto não seja apenas da prefeitura de Volta Redonda. Tenho certeza de que estas entidades também têm o interesse de que esta estação fique na cidade. E mais: penso que mais importante do que a estação, é Volta Redonda brigar por um centro de serviços, porque esses trens vão precisar de manutenção e hoje isso seria feito em São Paulo. Mas entendemos que temos condições de fazer, porque temos áreas disponíveis para oferecer e mão de obra capacitada na área metalmecânica.

FR – De acordo com a direção da ANTT, a opção da parada será definida pelo consórcio vencedor da licitação. O senhor acredita que esta parada pode mesmos ser alterada com base no que for apresentado pelos municípios, a ponto de se optar até por uma cidade que não seja nem Barra Mansa nem Volta Redonda?

JH – Quando eles colocam "região do Vale do Paraíba fluminense" estão falando dos 12 municípios. Podem ser que existam condições técnicas, por exemplo, em Porto Real, que tem uma área de expansão e ainda em desenvolvimento. Essa coisa de dizer que já ganhou, que é aqui...Eu só acredito em contratos e, no edital, que está direcionando todo o processo, consta que não há local definido, todos os municípios podem brigar para ter a estação, independente de um querer prejudicar outro. Se eu tiver que pegar o trem em Porto Real, será muito melhor do que no Rio ou em São Paulo. Todos vão ganhar. Mas percebo que existem espaços, após se conhecer a empresa vencedora, para que cada município apresente suas considerações. Existem pontos do traçados que precisam ser reanalisados. O traçado em Volta Redonda prevê a passagem do trem pela margem da pista sentido São Paulo da Dutra, onde, na frente, está a Floresta da Cicuta. Acho que terão grandes dificuldades ali. Há técnicos que defendem que essa linha passe do outro lado da Dutra, à margem da pista sentido Rio. Enfim, após se conhecer o vencedor, em maio, será a grande nova etapa do processo. Não tenho dúvidas que pode ter município correndo por fora que acabe sendo vencedor também.

FR – A proposta de se transferir a rodoviária para onde ficará o aeroporto regional depende da conquista da estação do trem-bala?

JH – Esse projeto o prefeito Neto tem amadurecido nos últimos anos. Existem grandes vantagens nesta estação rodoviária na entrada da cidade. Hoje, por exemplo, a passagem de ônibus de Resende para o Rio de Janeiro é mais barata do que partindo de Volta Redonda. Isso porque o ônibus entra em Volta Redonda. Uma das ideias do prefeito é criar uma rodoviária interestadual lá fora e deixando uma intermunicipal ali mesmo (no Centro), tendo um ônibus interligando as duas, gratuitamente, para transportar o passageiro para dentro e fora da cidade. Além disso, podemos desenvolver neste novo terminal algumas instalações de comércio e um centro de convenções, que é um grande sonho nosso. O turismo de Volta Redonda é o de negócios e a gente sabe que hoje alguns espaços estão pequenos e outros nem existem. Queremos criar um local com toda infraestrutura. Naquela região (Roma) já estão começando as obras de terraplenagem do nosso condomínio industrial e o hospital regional já é uma realidade. Aquela região tende a ter necessidade de um centro comercial e de serviços. E a posição da nova rodoviária ali seria muito boa para ajudar neste desenvolvimento.

 

FR – Com toda essa movimentação em direção ao Roma, será feito ali algum tipo de investimento em infraestrutura?

JH – O (Paulo ) Barenco, da Suser (Superintendência de Serviços Rodoviários), está analisando isso. Não temos ainda definidos onde vão ficar certos empreendimentos porque são terras particulares ou inadequadas. Existem estudos para definir. Mas existe uma facilidade ali, porque se você vem do Rio ou de São Paulo tem acesso direto à cidade. A infraestrutura é boa, só precisa ser aprimorada. Há empresas se instalando às margens da Rodovia dos Metalúrgicos, como é na entrada de outras grandes cidades. Nos Estados Unidos o modelo é interessante: shoppings funcionam próximos às grandes rodovias e a área interna da cidade é mais residencial. E lá essas rodovias interligam o comércio das cidades. Acho que o Brasil tem de adotar este modelo. Campinas e São José dos Campos, em São Paulo, têm grandes empresas de serviços próximas de rodovias. No estado do Rio ainda não se vê muito isso e Volta Redonda pode dar uma grande contribuição ao estado neste sentido. Volta Redonda aposta muito no Roma, que será um grande canteiro de obras nos próximos anos.

 

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SEG, 6/9/2010

 

 

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