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Educação

Vila é palco dos protestos em VR contra cortes na educação

15/05/2019 18:56:07

Estudantes do IFRJ (Instituto Federal do Rio de Janeiro) e da UFF (Universidade Federal Fluminense) se mobilizaram na tarde desta quarta-feira para protestar, em Volta Redonda, contra o corte de verbas da educação determinado pelo governo do presidente Jair Bolsonaro. Eles ocuparam a Vila Santa Cecília para protestar também contra a reforma da Previdência. Os manifestantes, que contaram com o apoio de dezenas de professores da rede pública, sindicalistas e representantes de movimentos sociais, saíram da Praça Brasil em direção à Praça Juarez Antunes, também na Vila, se deslocando pela Rua 14. Organizadores calcularam que havia mais de 1,5 mil participantes no protesto, que ocorreu no mesmo dia em praticamente todo o país.

Portando faixas, cartazes, buzinas e apitos, os alunos em coro gritavam frases diversas. “Nas ruas, nas praças, quem disse que sumiu? Aqui está presente o movimento estudantil” e “A nossa lutou unificou. É estudante junto com trabalhador” foram algumas delas.  A manifestação, sem incidentes foi acompanhada pela Polícia Militar e a Guarda Municipal.

Vila é palco dos protestos em VR contra cortes na educação

- Vemos um governo nocivo à educação pública – disse o estudante Murilo Jones da Costa, de 17 anos, secretário-geral do grêmio Estudantil e presidente do Coletivo Preto, movimento negro do IFRJ Campus Pinheiral. Ele também faz parte do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiro Indígenas. “O corte de verba compromete pesquisas feitas nos institutos. Não fazemos só pesquisas veterinárias, agropecuárias e de meio ambiente, mas também pesquisas sociais. Além da formação acadêmica, temos uma formação humana. Este governo que precarizar a educação pública”, acrescentou, explicando a inclusão da reforma da Previdência na manifestação: “Também é nociva à sociedade”.

Vila é palco dos protestos em VR contra cortes na educação

Os institutos federais de educação somam um milhão de estudantes em todo o país. No campus Pinheiral são 900 alunos e mil em Volta Redonda. Os diretores advertem que o corte imposto pelo Ministério da Educação nas verbas de custeio levará as instituições a pararem de funcionar já no início do segundo semestre. “O corte atinge o custeio e, na prática, inviabiliza o funcionamento do IFRJ já a partir de agosto”, disse o professor Michel Torres, do Sindicato dos Trabalhadores da instituição, para quem há uma intenção deliberada do governo de sucatear os institutos federais.

- Este ato é em defesa de um projeto de educação pública, um segmento que está sendo desmontado – disse Michel, para quem o setor “se tornou um inimigo em potencial deste governo”.

EXPANSÃO E MENOS RECURSOS

Vila é palco dos protestos em VR contra cortes na educação

Ex-prefeito de Pinheiral e ex-diretor do campus do IFRJ na cidade, o professor José de Artimathea, afirma que nos últimos quatro anos os institutos federais já vinham convivendo com redução de orçamento ao mesmo tempo em que ampliavam a oferta de vagas.

- Chegamos a 2019 com um estrangulamento. Já está sendo feito um esforço imenso para manter as instituições funcionando. Com o corte de 32,6% no custeio, nenhuma sustenta o funcionamento a partir de setembro – afirmou.

Segundo ele, o ministro da Educação Abraham Weintraub assumiu o cargo já atacando três grandes universidades públicas. “E quando viu que não pode atacar só as três decidiu atacar todo mundo”, criticou.

Vila é palco dos protestos em VR contra cortes na educação

Arimathea afirmou que o MEC adotou uma perseguição política e que a verba da educação nada tem a ver com a reforma da Previdência, como tenta relacionar o governo. “Até porque o impacto da reforma este ano seria nenhum”.Hoje pró-reitor de Desenvolvimento do IFRJ no estado do Rio de Janeiro (onde estão instalados 15 unidades), Arimathea lembra que antes o campus Pinheiral era apenas um colégio agrícola, com 300 alunos. Com a transformação em instituto federal, são ofertados ensino técnico e cursos de graduação. “Antes Pinheiral tinha um curso técnico, atualmente são seis. Tem um curso de graduação e dois em processo de aprovação, o que não tinha antes, com previsão de abrir um curso de pós-graduação até outubro”, observou, lembrando ter havido um processo de interiorização  do ensino superior, caso da UFF, que antes em Volta Redonda só tinha o curso de metalurgia. “Até então o estudante só tinha acesso a determinados cursos na capital”, frisou.

Vila é palco dos protestos em VR contra cortes na educação

A ex-vereadora e ex-coordenadora do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação) em Volta Redonda, Maria das Dores Motta, a Dodora, informou que praticamente todas as escolas das redes municipal e estadual não tiveram atividades regulamente nesta quarta-feira. Ela considerou a manifestação importante para mostrar à sociedade que “há uma intenção de destruir o sistema educacional público”.

- O que o Bolsonaro quer é a precarização do ensino público, impedindo o povo mais pobre de chegar ao ensino superior. É um absurdo quando atacam, por exemplo, o [sociólogo] Paulo Freire. Ele não marxista, comunista. Era apenas um educador preocupado que os mais pobres tivessem educação – afirmou Dodora.

EDUCAÇÃO SERÁ TEMA DE SEMINÁRIO

Vila é palco dos protestos em VR contra cortes na educação

Durante o ato, integrantes da Pastoral da Educação, da Diocese-Barra do Piraí-Volta Redonda, aproveitaram para distribuir convites para um fórum que será realizado no próximo sábado, no Instituto de Educação Professor Manoel Marinho, na Vila Santa Cecília.  O evento, programado para de 9 às 12 horas, terá a presença do bispo dom Francisco Biasin, José Arimathéa e a professora Juliana Pereira, mestre em ensino de História da UFF.

- Acho que acordou o Brasil – disse Sônia Leite, da pastoral, sobre a manifestação. “Estão usurpando os direitos do povo para favorecer as classes mais ricas. Não apresentam nenhuma planilha para demonstrar onde está o déficit nas escolas públicas. [O corte] é uma imposição que o país não pode aceitar”.

Outra integrante da pastoral, Maria Lúcia dos Santos, se mostrava indignada com a afirmação do presidente Bolsonaro, nos Estados Unidos, chamando de “idiotas úteis” os alunos que estão se manifestando. “Mais uma vez ele, depois de lamber as botas do [Donald] Trump [presidente dos EUA] ele vai lá fora falar mal do Brasil”.

- Eu estava indecisa em participar. Mas depois que li sobre a declaração dele, resolvi comparecer na mesma hora – disse uma professora da rede pública municipal de Volta Redonda. (Veja outras fotos na galeria abaixo)

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