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Internacional

Vaticano sela acordo histórico com a China sobre nomeação de bispos

22/09/2018 11:50:51

O Vaticano assinou neste sábado um acordo preliminar histórico com o regime comunista de Pequim sobre a nomeação de bispos na China. O acordo trata apenas do tema religioso e não inclui o restabelecimento das relações diplomáticas entre Pequim e a Santa Sé, interrompidas desde 1951, dois anos após a chegada dos comunistas ao poder.

Minoritários em um país com 1,5 bilhão de habitantes, os 12 milhões de católicos chineses professam sua fé divididos há décadas entre uma Igreja "patriótica" controlada pelo regime comunista e outra, clandestina, que reconhece a autoridade do papa.

Após o anúncio, o papa Francisco reconheceu sete bispos chineses que foram nomeados sem seu aval pelo regime comunista, alguns dos quais haviam sido excomungados. Um oitavo bispo, já falecido, foi reconhecido a título póstumo.

Há mais de três anos, a Santa Sé relançou as intermináveis negociações iniciadas nos anos 1980 para unificar a Igreja na China.

O acordo preliminar foi assinado em Pequim entre os dois chefes negociadores: o subsecretário de Estado da Santa Sé, Antoine Camilleri, e o vice-ministro chinês das Relações Exteriores, Wang Chao.

Ambas as partes esperam que o acordo possa "favorecer um processo frutífero e progressivo de diálogo institucional e que possa contribuir positivamente para a vida da Igreja católica na China, para o bem comum do povo chinês e para a paz no mundo".

"Este não é o fim do processo. É o começo", para "permitir aos fiéis ter bispos em comunhão com Roma, mas, ao mesmo tempo, reconhecidos pelas autoridades chinesas", disse o porta-voz do Vaticano, Greg Burke, de Vilnius, onde o sumo pontífice desembarcou neste sábado para uma viagem de quatro dias pelos países bálticos.

"O objetivo do acordo não é político, mas pastoral", frisou.

Desde que foi nomeado em 2013, Francisco busca aproximar o Vaticano do governo chinês, em um momento de auge do cristianismo no país.

O acordo pode ser criticado, já que coincide, paradoxalmente, com uma brutal campanha de destruição de igrejas cristãs em algumas regiões chinesas.

Na China, por exemplo, retirou-se a Bíblia dos sites de venda na Internet, e os padres católicos da Igreja "clandestina", reconhecida pela Santa Sé, foram há pouco detidos e depois liberados.

O acordo também pode ser criticado por um de seus principais opositores, o bispo emérito de Hong Kong, Joseph Zen. O cardeal, de 86 anos, repete há meses que os católicos chineses fiéis ao Vaticano, vítimas há anos da repressão das autoridades chinesas, seriam os grandes perdedores desta aproximação.

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