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Tentativas de suicídio aumentam em Volta Redonda

31/01/2020 08:24:50

A psicóloga Edna e a enfermeira Renata, coordenadora do programa de Saúde Mental

Não há dados precisos sobre o número de suicídios em Volta Redonda, mas um levantamento da Coordenadoria de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde impressiona: apenas entre outubro e dezembro do ano passado, foram atendidos 22 casos de tentativas de suicídio e 70 de ideação de suicídio – assim classificados aqueles em que a pessoa pensa em tirar a própria vida, mas não chega a praticar nenhum ato neste sentido. No mesmo período de 2018, foram 14 e 55 casos, respectivamente.

Tais números, todavia, certamente são bem maiores, haja vista que nem todos chegam ao órgão público. “E acontece em todas as classes sociais, mas, nas mais altas, os casos são abafados”, diz a enfermeira Renata Vasquez Molina, coordenadora de Saúde Mental da Secretaria de Saúde.

Também atuando pelo Samu, Renata faz uma revelação que justifica a preocupação com um assunto que é tabu para a maioria das famílias: “Há pelo menos um caso [de tentativa de suicídio] por plantão”.

Esta percepção de aumento de tentativas e casos consumados de suicídio não se restringe, é claro, a Volta Redonda. É um fenômeno que está ocorrendo em todo o país.

Renata chama a atenção ainda para o fato de que tentativas de suicídio estão sendo cada vez mais frequentes na população mais jovem. E cita mais um fator preocupante: a automutilação, que também tem sido frequente na cidade. “A pessoa não quer tirar a própria vida, mas aliviar as dores que sente”, analisa.

CONJUNTO DE FATORES

O ato extremo de atentar contra a própria vida é visto pela psicóloga Edna Quintino, também do serviço de Saúde Mental de Volta Redonda, como resultado da forma como se dão as relações entre as pessoas atualmente, seja em família ou socialmente, incluindo as condições de vida e trabalho.

“É um compilado de todas as dificuldades que alguém está vivendo num certo momento, a falta de expectativas. As pessoas hoje se encontram muito virtualmente, mas pouco presencialmente”, aponta a psicóloga, com 15 anos de experiência.

E, antes das opiniões definitivas, Edna ressalva: não se trata de avaliar o modelo moral de família ou apontar o celular como responsável pela depressão que acomete as pessoas a ponto de elas pensarem em se matar. A psicóloga enxerga que é preciso rever é a forma como nos relacionamos atualmente na sociedade.

“Precisamos de atitudes mais solidárias, sair da superficialidade. E a culpa não é do celular, o que precisamos é rever o lugar que damos a ele em nossa vida”.

Edna considera que os sinais emitidos por alguém de que planeja o suicídio variam conforme a pessoa, mas cita os mais comuns: “Depressão, mudança na forma de se relacionar com a família e os amigos, isolamento e discursos de desesperança, com decepções nas relações não só afetivas, mas no geral, inclusive no trabalho”.

De acordo com a psicóloga, o estilo de vida atual pode levar à demora de parentes ou amigos identificar que alguém próximo esteja precisando de ajuda: “As pessoas convivem entre si, mas não há intimidade, os relacionamentos são superficiais. A vida mudou mesmo, mas é preciso resgatar a convivência, a afetividade”.

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