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Nacional

TCU entrega CPFs para Receita informar se houve investigação

Ministro da Corte exige que Fisco informe nome de autoridades que estariam sob fiscalização tributária

17/08/2019 12:44:07

O embate entre o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Bruno Dantas e a Receita Federal resultou na entrega, por parte da Corte de contas ao Fisco, dos CPFs de centenas de autoridades e seus parentes para saber se foram investigados e quais servidores acessaram os dados sem autorização judicial. No início do mês, o ministro deu prazo de 15 dias para a Receita detalhar os números dos processos abertos nos últimos cinco anos relacionados a fiscalizações de integrantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário e também de seus cônjuges e dependentes.

A Receita informou que só poderia fazer isso com o CPF das autoridades. O ministro, então, providenciou as informações. Mas isso não evitou desdobramentos. Desde então, Dantas e o órgão protagonizam confrontos.

Na sessão plenária da última quarta-feira, o ministro disse que foi notificado pela Receita, para comprovar despesa médica de R$ 13 mil em 2015, que integrou sua declaração de Imposto de Renda.

- Suspeito que possa ter havido vício de finalidade nessa notificação, porque, recentemente, proferi despacho que determinou à Receita enviar processos. Trata-se de representação do Ministério Público junto ao TCU, referente a possíveis servidores. Não há qualquer juízo de valor, apenas despachei requerimento – disse.

No último dia 7, o ministro apresentou seu voto no processo sobre bônus de eficiência dos auditores da Receita, que custa R$ 1 bilhão por ano aos cofres públicos. “Entendo que os fatos não são desconexos. Sugerem que a notificação pode representar constrangimento ao TCU, numa tentativa de colocar sob suspeita a imparcialidade do julgador”, explicou. “Não deixa de causar perplexidade a constatação das coincidências”, completou Dantas.

Nota da Receita, no entanto, esclareceu que o contribuinte não está sob fiscalização e o pedido de informações dirigido ao ministro e a outras 56 pessoas físicas se refere a pagamento de serviços médicos a determinado profissional, que se encontra sob procedimento de fiscalização. “O objetivo dos pedidos de informações aos clientes, nesses casos, é algo absolutamente normal”, afirma a nota. “Não há, portanto, tentativa de constranger o ministro. Lamenta-se que o pedido de informações tenha causado perplexidade”, acrescenta o texto.

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