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Cidades

Servidores denunciam loteamento político do ICMBio

Parque Nacional do Itatiaia teve ação de conscientização

25/05/2018 15:29:15

Servidores do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) realizaram no final da manhã desta sexta-feira fechamentos temporários do acesso ao Parque Nacional do Itatiaia. A manifestação teve a finalidade de sensibilizar a sociedade contra o loteamento político da autarquia.

O movimento é nacional e a ação foi simultânea em diversas unidades de conservação espalhadas pelo país, como os Parques Nacionais da Tijuca (RJ), Serra dos Órgãos (RJ), Iguaçu (PR), Chapada do Veadeiros (GO), Bocaina (RJ/SP) e Fernando de Noronha (PE), além das APAs (Áreas de Priteção Ambiental) da Serra da Mantiqueira e Guapimirim.

Durante a ação foram abordados todos os visitantes e explicada a importância de “uma gestão profissional e comprometida com a preservação ambiental, para garantir a perpetuidade das nossas áreas protegidas, que são um patrimônio de toda a sociedade e como tal devem ser geridas, sem servir de moeda de troca entre os partidos políticos”, divulgaram o servidores do parque.

De acordo com os funcionários das unidades de conservação, o ICMBio está tendo cargos de direção loteados politicamente,  sendo entregues a pessoas sem qualquer ligação com a área ambiental. O nome cotado para assumir a presidência da autarquia é o de Cairo Tavares, ligado ao PROS, partido da base do presidente Michel Temer. Desde 2007, quando foi criado, o instituto sempre foi ocupado por quadro técnicos, com conhecimento da área de meio ambiente. O PROS é o partido do ministro Carlos Marun.

Cairo Tavares é natural de Valparaíso de Goiás. Ele  ébacharel em ciência política pela Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), curso concluído em 2010. Tem 31 anos e é secretário nacional de formação política do PROS. Em seu currículo qualquer menção sobre algum trabalho ou experiência na área ambiental.

Ambientalistas denunciam que o ICMBio entrou na barganha para o governo Temer manter seu frágil apoio no Congresso Nacional, após a aprovação da Medida Provisória da compensação ambiental, que autoriza a autarquia a selecionar um banco público para gerir uma espécie de “Fundo Amazônia” do setor. Cerca de R$ 1,4 bilhão, que estava retido no caixa do governo serão transferidos para esse fundo. Para os ambientalistas, o dinheiro atraiu a atenção dos partidos apoiadores do governo.

Além das manifestações, os servidores do ICMBio divulgaram uma carta aberta à sociedade. Veja a íntegra do documento:

“Como você reagiria se para a presidência do Banco Central fosse nomeado um indicado político sem NENHUMA experiência em economia? Ou se para técnico da seleção brasileira de futebol, fosse indicado um jovem político que nada entende sobre o assunto?

Pois foi assim, com total assombro, surpresa e revolta que fomos surpreendidos hoje com a indicação de um nome meramente político, sem NENHUMA formação profissional ou qualquer experiência sobre meio ambiente para a presidência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio.

Após a entrega política de algumas Coordenações Regionais e chefias de Unidades de Conservação do Instituto Chico Mendes, desta vez o Governo Federal pretende  nomear para a presidência do ICMBio um apadrinhado político, o senhor Cairo Tavares de Souza, pertencente ao PROS, para a presidência do ICMBio.

O indicado a presidente do Instituto  é diretor da Fundação Ordem Social, ligada ao PROS e sócio de uma empresa de comércio varejista de bebidas em Valparaíso de Goiás. Inacreditavelmente não consta que tenha QUALQUER experiência em gestão socioambiental.

O ICMBio é responsável pela gestão de 333 Unidades de Conservação que correspondem a 9 % do território continental e 24% do território marinho, bem como a coordenação e implementação de estratégias para as espécies ameaçadas de extinção. Uma missão como esta não pode ser entregue a dirigentes sem experiência na área socioambiental, por mera conveniência política.

O Instituto Chico Mendes tem em seus quadros profissionais concursados, capacitados, qualificados, que vem atuando de forma comprometida, sempre dentro da legalidade, garantindo uma gestão transparente, ética, e voltada à execução da política ambiental pública e aos direitos garantidos na Constituição, de manutenção do equilíbrio ecológico do meio ambiente, bem de uso comum do povo, dentro de suas atribuições. Desde sua criação, sempre foi presidido por profissionais com experiência na área socioambiental, imbuídos da missão institucional do órgão que trouxeram grandes conquistas na sua capacidade de atuação, como poder executivo, na implementação da legislação ambiental vigente. Em um contexto de imensa fragilidade das políticas públicas, a possibilidade da nomeação do Sr. Cairo Tavares coloca em risco o bom desempenho da missão institucional do ICMBio.

Diante do exposto, os servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade repudiam veementemente a possibilidade de nomeação do Sr. Cairo Tavares como Presidente deste Instituto,  ou de qualquer outra nomeação baseada em interesses políticos contraditórios ao interesse público e à missão do ICMBio.

Chamamos a sociedade civil a se unir a esta luta, em prol da proteção do patrimônio natural e promoção do desenvolvimento socioambiental. Não passarão! #Nãoaoretrocessoambiental!”

 

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