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Esporte

Sem apoio, futebol feminino de Volta Redonda encara estadual

Estreia será neste sábado no Aero Clube

27/09/2018 17:55:08

Há anos lutando com a falta de apoio – um adversário muito mais forte do que podem encontrar dentro das quatro linhas – o time de futebol feminino de Volta Redonda estreia neste sábado no Campeonato Estadual depois de quase desistir de participar da competição. Sem recursos financeiros, a equipe precisou recorrer a uma vaquinha feita pelas próprias atletas, comissão técnica e Liga de Desportos de Volta Redonda (LDVR) para levantar R$ 2,9 mil e poder entrar em campo neste sábado, às 15 horas, no Aero Clube, para enfrentar Rio Bonito na rodada inicial.

- O segundo jogo será em 13 de outubro, contra Cabo Frio. Até lá teremos de nos humilhar para autoridades e empresários para conseguir jogar de novo – dispara o coordenador do time, Sabino Cunha, inconformado com a situação.

Uma das mais tradicionais equipes de futebol feminino do estado do Rio, com bom conceito entre as jogadoras do Brasil inteiro, a equipe de Volta Redonda nunca teve vida fácil, mas a situação piorou depois que o Voltaço, clube profissional da cidade, deixou de abrigar o time. Jogando em casa, o Volta Redonda – agora representando a LDVR – tem que pagar as despesas, que só com a taxa de arbitragem e o médico de plantão chegam a R$ 1,5 mil.

-  O que mais aborrece é que ficam só empurrando com a barriga. Não dizem sim ou não, principalmente os políticos – reclama Sabino, aguardando resposta para saber se a prefeitura de Volta Redonda conseguirá o ônibus para levar o time para o primeiro jogo fora de casa, dia 20 do mês que vem, contra o Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.

São 33 jogadores inscritas na Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj), das quais 20 são relacionadas para cada partida. Entre elas, estão meninas de várias cidades da região, do Sul de Minas e até uma de Belo Horizonte.

Enquanto a cidade cujas cores defende dentro de campo responde pouco ou quase nada aos pedidos  de ajuda, Sabino recusou este ano proposta para levar a equipe para Três Rios, mesmo mantendo o nome da cidade do aço. Segundo ele, a ideia da prefeitura local era ter o Volta Redonda na cidade, onde os dois times tradicionais estão desligados da Ferj.

- Não aceitamos porque levaríamos pancada de tudo quanto é lado. Para ajudar, ninguém aparece, mas para criticar tem muita gente – disse. Segundo ele, a oferta era para usar as instalações do Entrerriense, com a garantia do pagamento da taxa de arbitragem e médico. “A gente pagaria só o transporte das jogadoras”, detalhou Sabino, que está na coordenação do time há 11 anos.

A luz no fim do túnel, acrescenta o coordenador, pode vir pelas mãos de um voltarredondense, o ex-jogador de futebol Donizete, que está intermediando negociações para que o Volta Redonda seja bancado, no ano que vem, pelo Botafogo, um dos clubes defendidos pelo Pantera.

- O namoro está bem adiantado, já posso dizer que estamos quase noivos – afirmou Sabino. Ele explicou que a Conmebol está exigindo que, em 2019, todos os clubes que forem disputar a Libertadores e Copa Sul Americana tenham equipes de futebol feminino. “Aí o Volta Redonda passará a ser Botafogo”, acrescentou o coordenador.

O campeonato feminino do Rio garante duas vagas para o Campeonato Brasileiro e, assegura Sabino, sua equipe – que continua sendo dirigida por Almir Guedes, ex-zagueiro do Voltaço – tem condições de brigar por uma.

Claro que o time de Volta Redonda não é o único que pena no futebol feminino no estado do Rio. Segundo Sabino, a dificuldade – exceto com Flamengo, Fluminense e Duque de Caxias – é geral, o que ele coloca na conta da Ferj pela falta de estímulo ao esporte: “São Paulo, por exemplo, já tem na federação um departamento de futebol feminino. A federação cobre todas as taxas e 50% do transporte”.

Diante da falta de incentivo, a pergunta  é inevitável: as jogadoras atuam somente por amor ao esporte? Sabino explica que, na verdade, todas sonham conquistar uma vaga no time da Marinha do Brasil, que tem um dos melhores times de futebol feminino do mundo.

- Este é o grande sonho dessas meninas. A Marinha faz contratos de até nove anos com jogadoras, pagando salário de oficial. De 2008 até agora, foram 16 atletas, uma delas Tânia Maranhão, que jogou pelo Volta Redonda – detalha.

Enquanto existe o sonho, todo esforço vale à pena. Não é à toa que o tiime é conhecido como “guerreiras de aço”. (Foto: Divulgação)

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