terça-feira, 04 agosto 2020
Fale Conosco | (24)3343-5229

Cidades

Samuca: ‘Quem fechou a economia foi o vírus’

06/07/2020 10:54:56

“Não foi o Samuca quem fechou nada. Quem fechou a economia da cidade foi o vírus”.

A declaração foi feita pelo prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva, ao rebater, na manhã desta segunda-feira (6), as críticas que vem recebendo de entidades empresariais desde o fim de semana, quando ele anunciou que o comércio varejista em geral ficará mais esta semana fechado, por conta da superação  de 50% da ocupação de leitos de UTI na cidade. O limite foi fixado no acordo feito pela prefeitura com o Ministério Público estadual (MPRJ), homologado pela Justiça.

Em entrevista ao programa Dário de Paula, da Rádio Sul Fluminense, ele lembrou que foi a prefeitura que, “em fato inédito no Brasil”, apresentou eixos para viabilizar a flexibilização do comércio, o que foi aceito pelo MPRJ. “O acordo foi elogiado pelos empresários e outras pessoas. Possibilitou o funcionamento do comércio por 50 dias. O fato é que [a propagação] do vírus aumentou e não podemos colocar a população em risco”, defendeu-se o prefeito, para, em seguida, lembrar que “há dias” vinha alertando sobre o aumento dos casos.

“Algumas pessoas não têm noção do que é uma pandemia mundial, que arrasa a economia e não seria diferente em Volta Redonda. Compete ao governo federal ter um plano claro para salvar a economia”, acrescentou, após prever que “o pior está por vir, entre setembro e outubro”, na economia do país. Repetindo que sua obrigação é salvar vidas, ele questionou: “Se o seu pai ou seu filho vier a óbito por falta de vagas, quem você vai culpar? O vírus ou o prefeito que não atendeu a medida [que determina o fechamento]?

ENTIDADES – Em nota conjunta divulgada no sábado, a CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) e o Sicomércio (Sindicato do Comércio Varejista) criticaram o novo fechamento e questionaram o fato de a prefeitura não ter aberto novos leitos de UTI, inclusive contratando junto à rede hospitalar privada. Samuca disse que a medida, agora, não seria “eficiente nem barata”.

Segundo ele, seria possível regular apenas cinco leitos da iniciativa privada, que também está sobrecarregada com atendimento de pacientes não só de Covid-19 como de outras enfermidades. “Daí a cinco dias teríamos que fechar do mesmo jeito”, assegurou.

Lembrando que o número de internados em leitos de UTI saltou de 19 para 47, entre 7 de junho e o último domingo (5), e que a ocupação de leitos de enfermaria aumentou de 56 para 94 no mesmo período, o prefeito de Volta Redonda apontou que as duas entidades poderiam ter questionado na Justiça os eixos fixados no acordo com o MPRJ “para ajudar o município na ação judicial”.

- O comércio ficou 50 dias aberto e ninguém questionou nada. E os índices só subindo. Deviam contestar na Justiça – retrucou, lembrando que, no sábado (4), a ocupação de leitos de UTI atingiu 62% - no domingo (5), caiu para 51%.

De acordo com Samuca, se as pessoas não se conscientizarem que devem ficar em casa, só saindo em caso de extrema necessidade, há risco de o comércio ficar fechado por mais tempo. “Temos que proteger os mais humildes, que não têm plano de saúde e dependem do atendimento local. Temos pessoas falecendo por causa do vírus, mas não por falta de atendimento”, ponderou, acrescentando: “Não é o Samuca [que fecha as lojas], mas é o Samuca que tem que decretar [o fechamento]”.

MEDICAMENTO – Na mesma entrevista, o prefeito anunciou que, a partir da quarta-feira (8), através do convênio firmado com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já terá início a distribuição do medicamento conhecido popularmente como Annita para pessoas com sintomas leves gripais, que serão orientadas a procurar um dos cinco centros de triagem criados pela prefeitura.

“Não se trata de vacina, mas é um medicamento que, pelos testes, diminui a potência do vírus. Não tem contraindicação, mas será prescrito pelo médico, com a concordância do paciente. Com isso, a pessoa não terá que ficar em isolamento em casa aguardando o agravamento [do quadro]. Vamos evitar assim a ocupação de leitos”, espera Samuca.

TRANSFERÊNCIAS PARA CAPITAL – Samuca também comentou o fato de pacientes de Volta Redonda com Covid-19 estarem sendo transferidos para hospitais da capital. Segundo ele, não se trata de falta de leitos na cidade, mas sim de um procedimento adotado desde o início da pandemia. Antes, explicou, a transferência era feita para o Hospital Regional, no bairro Roma, que há duas semanas decidiu não mais receber pacientes com coronavírus devido a atraso nos pagamentos pelo estado. A regulação, frisou, continua sendo feita justamente para preservar a capacidade de atendimento na rede hospitalar da cidade, no caso de pacientes que precisarão ficar internados por um período de tempo maior: “Antes, estas pessoas ficavam no Hospital Regional. Com o seu fechamento, a regulação continua. Não é um procedimento novo e específico”.

Também de acordo com Samuca, o procedimento sai mais em conta do que pagar, neste momento, por um leito na rede privada, que, ressaltou, custa R$ 2,6 mil por dia.

Para o prefeito, há distorção dos fatos com intenções políticas: “Existem urubus e abutres neste meio, que só se manifestaram agora para criticar. Lamento muito as pessoas criticarem em vez de ajudar Volta Redonda no meio desta pandemia”. (Foto: Divulgação / Arquivo)

Comentários via Facebook

(O Foco Regional não se responsabiliza pelos comentários postados via Facebook)

+ Lidas

Em foco

Notícias primeiro na sua mão

Primeiro cadastre seu celular ou email para receber as ultimas notícias.

Curta nossa fan page, receba todas as atualizações - Foco Regional

Tempo Real

16:33 Educação