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Educação

Professora é agredida por pais de aluna em escola de Piraí

10/10/2018 16:14:09

Uma professora da Escola Municipal Luiz Marinho Vidal, do bairro Jaqueira, em Piraí, registrou na delegacia de polícia a agressão que sofreu dos pais de uma aluna, no final da manhã da terça-feira, quando chegava para lecionar. A agressão teria sido motivada pela repreensão da professora à filha do casal, de 9 anos, estudante do 4º ano do Ensino Fundamental, que teria destratado outra aluna dentro da sala de aula, no dia anterior.

O episódio causou indignação entre professores e funcionários da escola. Em solidariedade à colega, as aulas foram suspensas nesta quarta-feira, quando cartazes foram colados na entrada do estabelecimento, condenando a violência. Os funcionários e professores foram à escola vestindo roupas pretas em sinal de protesto.

A própria direção acompanhou a professora agredida à delegacia de polícia. Nesta quarta, ela foi fazer exame de corpo de delito.

A professora Sinuê Oliveira Rocha Nóbrega, diretora do Sepe (Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação), amiga pessoal da vítima, cujo nome está sendo preservado a pedido dos colegas, disse que ela foi pega de surpresa quando chegava à escola para trabalhar. O Sepe divulgou uma nota de repúdio.

- Ela estava retirando seu material do carro quando foi atacada pela mãe, com tapas, socos, puxões de cabelo. O disciplinador que estava próximo tentou separar, mas foi contido pelo pai para que a agressão continuasse. A professora não teve como se defender – contou Sinuê, explicando que a agressão ocorreu diante de outros pais e de alunos.

Ainda segundo a diretora do Sepe, a agredida está com marcas nos braços, pescoço e um hematoma na testa, devido a um soco. “Até um chumaço de cabelo ela teve arrancado”, contou.

- Uma agressão verbal, a gente ainda releva, mas não uma agressão física – afirmou Sinuê, ressaltando que a Secretaria Municipal de Educação também está apoiando a vítima.

Por conta do ocorrido, a direção da escola convocou para esta quinta-feira uma reunião com os pais. A Secretaria de Educação, por sua vez, já encaminhou uma notificação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro para se orientar sobre o que fazer em relação à aluna, já que os professores temem que outras agressões possam ser praticadas caso ela permaneça na escola. “O pai é uma pessoa problemática. Como é que fica a nossa segurança?”, questiona a diretora do Sepe.

Na tarde da terça, depois do episódio, e nesta quarta, um carro da Polícia Civil foi deslocado para a entrada da escola.

OUTRO LADO – A reportagem do FOCO REGIONAL conseguiu falar por telefone com o pai da menina, cujo nome também está sendo preservado. Ele negou que tenha agredido a professora e que conteve o disciplinador para que sua mulher continuasse agredindo a vítima. Disse ainda que o casal está chateado com o que aconteceu, embora criticando a escola.

- Nós estamos muito tristes, muito chateados com o que houve. Infelizmente, minha mulher perdeu o controle. Mas desde o início do ano tentamos resolver um problema e não conseguimos. Já falamos com professores, com a direção da escola e com a Secretaria de Educação – disse o pai. Segundo ele, há outras queixas de pais de alunos em relação a problemas dos filhos na mesma escola.

Ainda de acordo com ele, sua filha estaria sofrendo bullying na escola e   também já teria sido agredida. “Você sabe que pai e mãe sempre defendem seus filhos, mas não com agressão. Só que a situação saiu de controle. Se eu soubesse que ia acontecer o que aconteceu, não teria deixado minha mulher ir falar com a professora”, prosseguiu o pai, acrescentando que sua primeira preocupação foi tirar a filha de perto, pois ela começou a chorar muito.

- Eu segurei o funcionário [disciplinador] tentando mostrar que se eu ou ele entrássemos na briga poderíamos machucar as duas – alegou.

À reportagem, o pai disse não saber se a filha deve permanecer na escola. “Estamos conversando com algumas pessoas a respeito para saber o que pode ser feito. Você não tem noção de como tudo isso mexeu com a gente. Afinal, ela é uma profissional, que está ali para ensinar e educar nos filhos. Se eu pudesse, pediria mil desculpas a ela pelo que ocorreu, mas agora já aconteceu e temos que responder pelo que houve”.

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