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Economia

Poucas & Boas: Os argumentos da CSN pelo turno de 8h

09/10/2017 16:23:06

FERNANDO PEDROSA

A nota oficial da CSN admitindo que pretende mesmo implantar o turno fixo de oito horas causou, como era de se esperar, grande impacto em Volta Redonda.  O maior temor é que, com a mudança de jornada, haja demissões em massa na Usina Presidente Vargas.

Risco que, na nota distribuída à imprensa, a siderúrgica assegura que não há. O que a companhia está expondo nas conversas internas com os empregados é que é totalmente equivocada a conclusão de mais de mil demissões, que seriam automáticas, simplesmente em razão da mudança.

Tem explicado que, além da necessidade de se compor o quadro das demais letras – pois, em qualquer turno de oito horas, há intervalo para refeição e o processo de produção não pode parar – é preciso maior contingente em cada grupo de turno.

Além disso, a empresa tem lembrado que está pondo fim a diversos processos que foram terceirizados e, por conta disso, contratando pessoal. Neste processo de primarização, a CSN tem afirmado que vai valorizar o seu quadro, não havendo assim possibilidade de desligamentos automáticos, muito menos no volume que vem sendo alardeado.

Data marcada

Em tempo: se depender unicamente da empresa, a mudança ocorre mesmo na próxima segunda-feira, dia 16, segundo confidenciou uma fonte à coluna e conforme já vinha sendo especulado.

Outras

Quando fala em competitividade, a CSN está se referindo ao fato de que, com a mudança, uma troca de turno vai ser eliminada. E isso para uma usina do seu porte significa muita, mas muita economia (inclusive de horas extras) e mais produção. Num mês, as trocas de turno serão reduzidas em 25% - e os cálculos são de que a produtividade aumente na mesma proporção.

Alega ainda que, para a segurança dos trabalhadores, a mudança também será benéfica: com menos trocas de turno, haveria menos riscos de acidentes.

Mais

Outro argumento da CSN é que o turno fixo de oito horas significará melhoria na gestão, pois os encontros dos empregados com os gestores ocorrerão com muito mais frequência: como o horário administrativo na empresa é de 7h30min às 17h15min, com o turno fixo de oito horas o supervisor que trabalha neste horário tem contato pelo menos com dois terços dos operários.

Com quatro letras, como é atualmente, esse encontro só ocorre com metade deles: os que fazem de 6 às12h e das 12 às 18h.

Diferente

Ainda sobre o temor das demissões: a companhia lembra que de 2000 a 2008 vigorou o turno de oito horas na Usina Presidente Vargas, sem que isto tenha custado empregos.

Neste ponto, entretanto, há uma baita diferença: o cenário geral da economia, pelo menos no Brasil, não tinha os aspectos estabelecidos agora.

Conclusão

A CSN tem dito ainda aos empregados que há certo misticismo em relação ao turno de seis horas, conquistado na greve de 1988, em que três operários morreram. E considera que o embate entre situação e oposição sindical por esta bandeira acaba impedindo de se fazer uma discussão lúcida sobre o assunto.

Fernando Pedrosa é editor do FOCO REGIONAL

 

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