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Polícia

Polícia desarticula quadrilha que furtava dinheiro em contas bancárias

09/08/2017 10:55:35

Uma operação deflagrada na madrugada desta quarta-feira pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, resultou na prisão de 28 pessoas suspeitas de integrarem uma organização criminosa que, com a atuação de hackers, desviava dinheiro de contas bancárias em cidades da região Sul Fluminense. Foram expedidos 33 mandados de prisão preventiva e cerca de 50 de busca e apreensão. Além das prisões, realizadas em Barra Mansa, Volta Redonda e na capital do estado, foram apreendidos computadores, celulares e automóveis, alguns deles de luxo. A identidade confirmada dos presos ainda será divulgada pela Polícia Civil.

A operação foi coordenada pelo delegado-titular de Barra Mansa, Ronaldo Aparecido, e mobilizou 190 agentes de delegacias especializadas, da Baixada Fluminense e da capital. Da região, apenas agentes de Barra Mansa e Piraí participaram, muitos sem ter conhecimento dos alvos. O sigilo foi considerado pelo delegado essencial para o resultado da ação, que ainda terá desdobramentos. Denominada Open Doors (Portas Abertas), a operação foi acompanhada também pelos promotores Carlos Eugênio Laureano, Bruno Gaspar e Fabiano Oliveira.

Polícia desarticula quadrilha que furtava dinheiro em contas bancárias

A identidade dos 28 presos, entre eles duas mulheres, ainda não havia sido confirmada até o momento da publicação desta reportagem. Mas Ronaldo Aparecido confirmou que um homem, conhecido como “Leo Carroça”, que foi dono da boate Mistura Carioca, no Conforto, em Volta Redonda, está entre os que tiveram a prisão preventiva decretada, pois seria um dos cabeças da organização. Outros dois que também seriam líderes da organização criminosa está entre os presos, que foram levados, inicialmente, para o Parque da Cidade, em Barra Mansa, onde a coordenação da operação se concentrou.

COMO FUNCIONAVA – O delegado e os promotores explicaram em entrevista coletiva que as investigações tiveram início há oito meses, período em que, segundo eles, foi possível comprovar que a quadrilha desviou cerca de R$ 2 milhões de contas bancárias. Os valores eram depositados nas contas de pessoas que atuavam como “laranjas”, que ficavam responsáveis pelo saque dos valores, recebendo para isso 10% do valor desviado.

Polícia desarticula quadrilha que furtava dinheiro em contas bancárias

Para invadir as contas, explicou Ronaldo, o bando se valia de hackers – que não estão entre os presos desta ação. “Esta operação é um desdobramento da ‘Black Hart’, operação que fizemos em 2012”, disse o delegado de Barra Mansa.

Desta vez, acrescentou, as investigações foram retomadas a partir de uma denúncia anônima levada à delegacia de Barra Mansa, em julho do ano passado, dando conta de que soldados da Aman (Academia Militar das Agulhas Negras) estavam sendo aliciados para ceder contas para receber os desvios. Com a ajuda do setor de inteligência da Aman, a denúncia foi confirmada e os suspeitos começaram a ser investigados.

Polícia desarticula quadrilha que furtava dinheiro em contas bancárias

A apuração revelou, também segundo o delegado, que a quadrilha atuava de forma bem definida, com a divisão de tarefas. Além dos laranjas, que recebiam 10% do montante desviado, havia o “laranja especial”, que aliciava outros, aliciadores de dois níveis e, finalmente os cabeças, os únicos que tinham acesso aos hackers. Ronaldo disse também que, meses atrás, três policiais militares foram presos em flagrante por extorsão mediante sequestro.

- Eles descobriram a quadrilha, sequestraram um de seus membros e exigiram R$ 100 mil para a sua libertação – lembrou o delegado.

Ainda de acordo com Ronaldo Aparecido, o montante desviado e repartido entre o bando fazia com que seus integrantes “levassem uma vida de luxo”, com a compra de carros, imóveis, aluguel de lanchas e gastos de até R$ 50 mil em uma casa noturna em apenas uma noite.

O delegado também revelou que, para sacar o dinheiro, os laranjas eram monitorados e, para facilitar o recebimento de valores maiores altos, que não podem ser sacados em caixas eletrônicos, eram simuladas vendas em cartão de débito de forma a transferir o dinheiro o mais rápido possível, antes que a irregularidade fosse detectada pelo banco. “Os laranjas já recebiam seus percentuais na hora”, frisou.

No total, o Ministério Público denunciou à Justiça 88 pessoas. “Porém, foi pedida a prisão preventiva, que é uma medida extrema, apenas daqueles que comprovadamente têm vínculo com o grupo”, explicou o promotor Carlos Eugênio Laureano, informando ainda que seis mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é obrigada a se apresentar diante da autoridade policial ou judicial).

Relutância dos bancos dificulta investigações, reclama delegado

Polícia desarticula quadrilha que furtava dinheiro em contas bancárias

O delegado Ronaldo Aparecido se queixou da falta de colaboração do sistema financeiro para elucidar casos como este. Segundo ele, alguns gerentes de bancos precisaram ser conduzidos à delegacia por desobediência para que a instituição prestasse as informações solicitadas pela polícia.

- Houve o caso de uma gerente de Barra Mansa que ligou para uma cliente para falar da investigação, criando um embaraço, o que vai ser objeto de apuração – revelou Ronaldo. Ele disse estar certo de que se houvesse a colaboração bancária, o valor apurado de desvio seria muito maior do que os R$ 2 milhões detectados. “Eles [bancos] deveriam auxiliar, mas acabam prejudicando as investigações, porque o sistema é frágil e omisso”, queixou-se.

- Eles detêm informação e tecnologia para identificar a origem e o destino do dinheiro, mas acho que buscam se preservar para não demonstrar vulnerabilidade. É a tentativa de autoproteção. Não disponibiliza ou disponibiliza de forma incompleta as informações – completou o delegado.

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