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Política

Neto sabe que vai ter contas rejeitadas

13/04/2017 11:20:49

O ex-prefeito de Volta Redonda não tem nenhuma esperança de que suas contas – de 2011, 2013 e 2014, todas rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) – sejam aprovadas pela Câmara de Vereadores. Esta semana, o presidente da Casa, Sidney Dinho (PEN), anunciou que a análise em plenário dos três exercícios será feita na próxima semana. Com as contas rejeitadas, ainda que seja a de um ano apenas – Neto fica inelegível por oito anos, o que o impediria de concorrer novamente ao Palácio 17 de Julho, em 2020.

Todavia, o ex-prefeito assegura que não tem intenção de ser candidato, posição que já manifestou reiteradas vezes desde que deixou o governo. Da mesma forma, ele insiste que há muita pressão de seu sucessor, Samuca Silva, para que as contas também sejam rejeitadas pelos vereadores, para tirá-lo do próximo páreo.

Em entrevista nesta quinta-feira ao FOCO REGIONAL, Neto assegurou que não tomará medidas para adiar a votação, mas não escondeu que poderá ir à Justiça para não ficar inelegível, baseando-se no fato de que os argumentos usados pelos conselheiros para reprovar suas contas não foram levados em conta na apreciação do demonstrativo de outras cidades, que tiveram as contas aprovadas. A íntegra da entrevista a seguir:

FR - Está marcado para a próxima segunda-feira o início da votação das contas do senhor, rejeitadas pelo TCE-RJ, na Câmara de Volta Redonda. O senhor chegou a apresentar uma petição para que, antes, as contas fossem expostas publicamente pela Câmara, mas a Consultoria Jurídica da Casa considerou que não há empecilhos jurídicos para a votação. E agora?

AFN – Bem, a minha equipe jurídica disse que a Câmara tem razão. Vamos respeitar a posição da Mesa Diretora. Sei que a minha dificuldade é muito grande, até porque há um envolvimento da prefeitura, do prefeito, para a rejeição das minhas contas, mesmo estando eu afirmando que não vou ser mais candidato a prefeito de Volta Redonda. A rejeição talvez me torne inelegível. Vou buscar todos os recursos que puder tentar para manter este direito, caso possa ser candidato, se quiser, algum dia. Mas já percebi que a preocupação de alguns vereadores e talvez até do prefeito seja essa, é me tornar inelegível. Estou afirmando, entretanto, que, independente disso, não sou mais candidato.

FR – Mas então o senhor quer, caso deseje ser, ter este direito. Quando fala em buscar todos os recursos, o que seria?

AFN – Eu considero uma tremenda injustiça o que alguns vereadores estão fazendo, o que o Tribunal de Contas fez. Até porque, no parecer do TCE, eles alegam duas irregularidades: uma, que eu não podia movimentar mais que 25% dos recursos da prefeitura. Isso não procede, porque eu tinha autorização pra fazer isso. E, mesmo que eu não tivesse, 19 outros municípios tiveram a mesma “falha”, entre aspas mesmo, que eles estão falando, e tiveram as contas aprovadas. Outra, é que não enxergam como gastos com a Educação a construção de escolas com dinheiro do Furban (Fundo Comunitário). Sempre foi feito desta maneira e eles rejeitaram. Por siso acho uma injustiça muito grande. Certamente que vou buscar meios legais para tentar reverter esta situação.

FR – O senhor se sente decepcionado com alguns vereadores, sobretudo os que se elegeram no ano passado, por quem trabalhou para conquistarem o mandato?

AFN – Com certeza! Estou decepcionado, sim. Tem vereadores do meu partido (PMDB) trabalhando contra, pessoas que viviam o dia a dia [da prefeitura] e participavam do governo. Tem vereadores que se elegeram com pouquíssimos votos, porque fizemos um partido. Ajudamos vereador a ter voto. Teve vereador que ficou um tempo afastado, voltou, depois que, democraticamente, disputou uma eleição. Isso tudo me entristece, mas faz parte da vida. A política, lamentavelmente, alguns entendem que se faz desta maneira. Por isso a classe política está tão desgastada. É culpa dos próprios políticos. Lamento, mas vida que segue.

FR – O fato de as suas contas terem sido rejeitadas e de ter ocorrido a prisão de quase todos os conselheiros do TCE-RJ, na opinião dos seus adversários não invalida o relatório do tribunal, que seria apenas técnico. O senhor concorda?

AFN – O voto, no tribunal, algumas vezes é político e aqui na Câmara é totalmente político.  Mas não quero me aprofundar nisso, até porque eu posso lhe garantir: nunca dei dinheiro pra ninguém. Estou pagando multas, sofrendo com esta situação das contas, mas sigo de cabeça erguida. Nunca tirei um tostão da prefeitura. Eles podem achar falhas administrativas, mas jamais vão encontrar desvios de verbas feitos pela minha administração, por mim ou pela minha equipe.

FR – O senhor assegura isso mesmo depois destas operações policiais que já levaram para a prisão Sérgio Cabral e Hudson Braga, levantando ainda suspeitas sobre Luiz Fernando Pezão?

AFN – Com certeza. Eu fui presidente do Detran, fui presidente da Cehab (Companhia Estadual de Habitação), fui secretário da Receita, onde o que estava previsto para arrecadar em 12 meses arrecadamos em oito. No Detran demiti 750 pessoas, a grande maioria por corrupção. Eu ando de cabeça erguida, graças a Deus. Podem falar o que quiser. Estou há tantos anos na vida pública e nunca houve nada que manchasse a minha conduta, que desabonasse a minha conduta. E é assim que quero continuar o resto da minha vida. Tenho falhas? Com certeza, vão encontrar. Mas, corrupção, jamais. (Foto: Arquivo20/02/2015)

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