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Política

Neto nega favorecimento e lembra ter multado e rescindido contrato com Locanty

01/02/2019 11:57:05

O ex-prefeito de Volta Redonda Antônio Francisco Neto se declarou surpreso com a ação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro questionando a modalidade do processo de licitação para a coleta de lixo feito pela prefeitura em 2009. Na ação, o MP pede o bloqueio de bens e contas dele, do procurador Waldiney Alves e da empresa por considerar que o modelo de contratação foi inadequado, o que teria favorecido a vencedora.

Citando documentos da época, ele garante que foram três empresas concorrentes e mais de 177 lances dados antes do pregão ser encerrado. Neto cita o histórico de relacionamento de seu governo com a empresa para afastar qualquer possibilidade de favorecimento.

Ele detalhou que o valor inicial do contrato era de R$ 33.986.415,60 por 60 meses de serviços, mas a Locanty venceu com a proposta de R$ 27 milhões. No entanto, a empresa passou a faer seguidos pedidos de aditivos (acréscimo de valor) ao contrato e todos foram recusados. Segundo o ex-prefeito, a partir daí houve uma tentativa de pressionar o governo, com a Locanty enviando caminhões sucateados para a cidade, desviando mão de obra para outras, e consequentemente deixando de recolher o lixo em Volta Redonda da forma como previa o contrato.

A partir daí, acrescentou Neto, a empresa teria iniciado uma quedea de braço com o governo, que se tornou pública na época, e acabou sendo multada dez vezes em valores que chegaram a quase R$ 100 mil naquela ocasião.

-Eles baixaram muito o valor e isso nos causou muita surpresa. A concorrência foi tão grande que a empresa vencedora reduziu o próprio lance inicial de quase R$ 30 milhões paraR$ 27 milhões depois de 117 lances. Fizemos tudo com muita transparência. O pregão é muito transparente e utilizado até hoje pelas prefeituras, governos estaduais e governo federal. Não é a modalidade que permite a falcatrua, é a falta de compromisso com o dinheiro público. Isso em Volta Redonda não teve, eu garanto - disse o ex-prefeito, destacando ainda o que aconteceu à época da licitação.

"A Locanty não tinha se envolvido em qualquer escândalo na época, mas mesmo assim checamos em todas as cidades onde ela havia vencido licitação. Eu, pessoalmente, liguei para várias prefeituras".

Segundo Neto, ficou claro que a empresa entrava nas licitações com a prática de jogar o preço muito para baixo do valor. Na época, prosseguiu, percebeu que o objetivo final era conseguir  aditivos ao contrato original, o que depois acabou se tornando um escândalo nacional e acabou por extinguir a Locanty.

- Chamamos os responsáveis pela empresa e deixamos claro que isso não iria ocorrer em Volta Redonda, como de fato não ocorreu. Não houve aditivo no contrato deles, pelo contrário, foram multados reiteradamente por fazer um serviço porco. Todos os moradores de Volta Redonda se lembram bem disso, pois foi chamada de "crise do lixo". Agora, pergunto: como alguém que aplica dexz multas e rescinde o contrato pode ter favorecido esta mesma empresa?

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