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Nacional

Moradores de Congonhas pedem providências para barragem da CSN

12/02/2019 11:50:39

A tragédia de Brumadinho (MG) acendeu o sinal de alerta em Congonhas, outra cidade mineira cercada de barragens que colocam em risco a população. Numa reunião na noite da segunda-feira, a União das Associações Comunitárias (Unacom) cobrou mais uma vez soluções para a barragem de Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), instalada praticamente dentro da área urbana da cidade.

No mesmo dia, a Unacom entregou ao Ministério Público pedido para acompanhamento da segurança de nove represas do tipo considerado mais arriscado, escondidas por montanhas e matas fechadas.  O requerimento diz respeito a estruturas de contenção de rejeitos, minério e água de três empresas, entre barragens, diques, baias e similares, cuja área de drenagem segue em direção a Congonhas.

De propriedade da CSN fazem parte da lista as barragens de Lagarto, do Engenho, dois diques da Pilha Vila II e a represa formada ao lado das barragens B4 e B5 – vertente Bairro Praia/ Fazenda Palmital. Da Vale, estão na mira os empreendimentos de Baixo João Pereira, Barnabé, Alto Jacutinga e Gambá. Da empresa Ferro + Mineração, a preocupação é com o Dique da Pilha Sul.

O pedido de instauração de procedimentos visa, além de acompanhamento das condições de segurança, à verificação das condições legais e técnicas dos barramentos. Os moradores cobram também a aferição da efetividade dos planos de emergência e contingência em caso de rompimento das estruturas, todas localizadas na sub-bacia do Córrego Santo Antônio, acima dos bairros Praia e vizinhos, com dezenas de milhares de habitantes. Segundo o requerimento, a área responde por 60% das captações de água para Congonhas, o Parque da Cachoeira (local de recreação pública onde a lotação atinge a marca de três mil usuários) e a Unidade de Pronto-Atendimento 24 horas (UPA da Praia), sem contar escolas, igrejas, centros de saúde e quadras esportivas, entre outros equipamentos públicos.

“Essas barragens não são de acesso público e estão atrás de Casa de Pedra, que é a que vemos. Mas, do outro lado, mora um grande perigo também. É preocupante e queremos que o Ministério Público acompanhe essa situação. A população de Congonhas está temerosa”, afirma o diretor de Meio Ambiente e Saúde da Unaccon, Sandoval de Souza Pinto Filho. O promotor de Justiça da comarca de Congonhas, Vinícius Alcântara Galvão, está com o documento em mãos e deve analisá-lo nesta terça-feira para definir eventuais providências.

A preocupação não é sem motivo. Reportagem publicada na segunda-0feira pelo jornal Estado de Minas, mostrou que, do total de empreendimentos na cidade, 54% têm dano potencial associado considerado alto. O levantamento é da Secretaria de Meio Ambiente de Congonhas, em relatório que mostra também o que ocorreria caso as represas se rompessem. A cidade histórica seria praticamente varrida do mapa em qualquer situação, afetando comunidades locais e até mesmo de outras cidades.

A maior das barragens de Congonhas, a Casa de Pedra, da CSN, tem 21 milhões de metros cúbicos, atualmente, dos 107,5 milhões de metros cúbicos de rejeito de mineração e água acondicionados em todas as represas da cidade. Um evento nessa área poderia, além do impacto com o rejeito e água verificado nas projeções, provocar um represamento no Rio Maranhão. Isso causaria inundação de toda a área central, até que sua fluidez fosse normalizada, o que levaria dias, dependendo de uma série de fatores climáticos e do material acumulado. A previsão é que 1,5 mil pessoas seriam atingidas diretamente.

O cenário tem levado moradores a reuniões constantes. Desde o rompimento da Barragem 1 da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, o movimento pelo descomissionamento da represa se intensificou. A população cobra ainda da CSN a retirada de pessoas vizinhas à represa.

Ministério Público, organizações da sociedade civil, parlamentares e moradores foram convidados ontem para reunião no Bairro Dom Oscar para discutir o reassentamento e a descaracterização da barragem. “O mote principal é tirar o povo do risco de rompimento e da zona do medo, da incerteza”, afirma Sandoval de Souza, da Unaccon.

A CSN, a Vale e a Ferros Mineração foram procuradas para comentar a estabilidade das estruturas, mas não se manifestaram. A reportagem é do jornal Estado de Minas. (Foto: Reprodução TV)

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