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Nacional

Mineira cria concurso de fotos sensuais no Instagram

Festival é resultado do que começou como brincadeira da autora

29/03/2020 09:43:21

O que começou com uma brincadeira despretensiosa, em tom de piada, acabou sendo levado à sério e virou mesmo uma competição: um concurso de nudes que, uma semana após o lançamento, já tem centenas de participantes.

A ideia é partiu da percussionista mineira Sandra Leão, que fez uma postagem em seu Instagram em meio aos milhares de memes que lembram as pessoas de sentir culpa por perder a forma durante o isolamento imposto pela pandemia de coronavírus.

“E aí, gente, o que vocês acham de fazer um campeonato de nudes nessa quarentena?”, publicou a percussionista, no último dia 21, junto com uma foto dela mesma em trajes íntimos. “Naquele dia mesmo, recebi muitas fotos de amigos via mensagem privada e comecei a postar. Até que resolvi criar um perfil exclusivo para isso”.

Uma semana depois, o Festival Nude Casa reúne três mil seguidores no Instagram. Para participar, ninguém precisa ter atributos de beleza padrão. Basta se despir, fazer um bom clique e mandar a foto via mensagem privada para o perfil @nudecasa, entre 12 e 18h.

Sandra explica que a curadoria das imagens leva em conta critérios como coerência aos temas da mostra e qualidade da fotografia. Todas são publicadas, mas só as melhores vão para o feed. Cliques sem foco, mal enquadrados, borrados ou mal iluminados vão para os stories, onde o post dura apenas 24 horas.

As disputas são organizadas por temas e o vencedor leva um prêmio. “Eu chamo mais de premiação do que de competição, porque todos saem ganhando, no fim das contas. Até o momento, temos treze categorias e 20 prêmios disponíveis. A primeira categoria que a gente abriu se chama “Pele Disponível”. Nela, pedimos nudes de pedaços do corpo. Quem vencer essa etapa ganha uma tatuagem de uma artista plástica de Belo Horizonte”, explica a percussionista.

Segundo ela, quem criou coragem para enviar nudes, mas ainda não teve as poses publicadas deve ter paciência, pois a caixa de mensagens anda lotada. “Estou recebendo tanto material, que está difícil de postar. Ainda estou publicando fotos enviadas há dois dias, pois a quantidade de fotografias que recebo é grande”, afirma Sandra, para quem o sucesso da iniciativa não pode ser atribuído exclusivamente ao distanciamento social exigido pelo surto da COVID-19, mas a medida teria colaborado bastante. "A nudez é magnética por si só. As pessoas, no entanto, tiveram que abrir mão de encontros com seus parceiros, flertes esporádicos, sexo casual. A virtualidade é quase a único meio de expressar a sensualidade nesse momento”, acredita.

A percussionista, no entanto, desencoraja aqueles que encaram o Festival Nude Casa um entretenimento pornográfico. “Eu acredito no nude como uma ferramenta de autoaceitação do corpo. Inclusive, muitas pessoas que nunca tinham feito um nude na vida me escreveram dizendo que (até fotografarem a própria nudez) nunca tinham tido contato com o próprio corpo de uma maneira tão íntima. Outras pessoas me procuraram para falar que, depois de se verem nuas nas fotos, começaram a gostar do próprio corpo. Eu até me arrepio ao lembrar disso, porque é muito especial ver mulheres e homens fora do padrão afirmando que passaram a ver beleza em si mesmos depois da experiência de fazer nudes”.

A reportagem é do jornal Estado de Minas. (Fotos: Reprodução do Instagram)

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