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Cidades

Lançada em Volta Redonda a Campanha da Fraternidade de 2018

14/02/2018 16:02:03

A Campanha da Fraternidade de 2018, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi lançada na tarde desta quarta-feira na Cúria Diocesana de Volta Redonda. A campanha deste ano tem o tema Fraternidade e superação da violência, tendo como lema “Em Cristo somos todos irmãos (Mt 23,8)”.

A apresentação da campanha foi feita pelo bispo da Diocese Barra do Piraí-Volta Redonda, dom Francisco Biasin, que classificou a questão da violência na sociedade de “uma urgência muito grave”, com números assustadores que aumentam a cada ano que passa. Ele citou que, segundo dados oficiais, em 2017 o estado do Rio teve 6.731 mortes violentas, sendo 1.549 no interior. Para a Igreja Católica, a violência tem raízes nas desigualdades sociais.

- A miséria e a injustiça social são o chão de onde a violência brota – afirmou, acrescentando que ninguém nasce violento: “O que provoca a violência é a sociedade em que vivemos”. O bispo também criticou as condições da população carcerária no país, que em sua maioria abriga jovens e negros.

O bispo salientou que o combate à violência não se faz de forma isolada, incluindo o poder público, o poder judiciário e toda a sociedade civil organizada, através da difusão da cultura da paz.

Na entrevista coletiva que marcou o lançamento da campanha, o padre Juarez Sampaio lembrou que, em 2016, quase 62 mil pessoas morreram vítimas de homicídio ou latrocínio (roubo seguido de morte) e também criticou a desigualdade social e o sistema carcerário. “Nós somos frutos d meio em que vivemos”, disse.

O sistema carcerário do país também dominou a fala do padre Nilson, da pastoral carcerária, que, após ler trecho da carta de um preso que se disse resgatado pelo movimento pastoral, afirmou que, até a última sexta-feira, a Cadeia Pública de Volta Redonda abrigava 303 presos (a capacidade é para 300), enquanto a de Resende, inaugurada recentemente e com capacidade para 417 detentos, já somava 390. Ele também citou a superlotação do Degase, que abriga menores infratores, também no bairro Roma, em Volta Redonda: segundo ele, atualmente são 180 adolescentes, o dobro de sua capacidade. “É um barril de pólvora”, advertiu.

O padre ainda fez uma denúncia: a de que a alimentação dos presos das cadeias de Volta Redonda e Resende sai diariamente de Japeri, na Baixada Fluminense, e estaria chegando aos seus destinos sem condições de ser consumida. “É uma situação desumana”, lamentou, conclamando que a realização de ações que humanizem as prisões no estado do Rio de Janeiro, “particularmente em Volta Redonda e Barra Mansa”.

Ainda na apresentação da campanha, a professora Áurea Dias, da Universidade Federal Fluminense (UFF), fez uma abordagem das várias formas de violências enfrentadas pela mulher negra, como exemplo da desigualdade social. “A gente perpetua uma sociedade que produz mais desigualdade”, enfatizou.

Depois de o presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Volta Redonda, Alex Martins, abordar a “violência legalista”, praticada pelo estado, em que citou como exemplo a precarização do trabalho e a reforma da Previdência na pauta do governo de Michel Temer,  o padre Gildo atribuiu como causa da desigualdade, que gera violência, o sistema capitalista.

- O sistema só pensa no lucro, não nas pessoas, neste modelo escravista que despreza a grande maioria da população – afirmou.

Para o religioso, “a classe média está a serviço deste modelo”, que manipula as pessoas “em benefício de um pequeno grupo”. Na opinião do padre, é o mesmo sistema em que se sustenta o narcotráfico.

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