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Cidades

Greve deixa cidades da região à beira de colapso administrativo

25/05/2018 11:35:16

Situação idêntica: Samuca ao lado de Rodrigo Drable e Ednardo Barbosa (à esquerda)

A greve dos caminhoneiros, que entrou nesta sexta-feira no quinto dia, vai provocar um colapso administrativo nas cidades da região Sul Fluminense a partir do próximo domingo. Com aulas já suspensas, serviços essenciais poderão ser interrompidos, como a coleta de lixo – que, por sinal, já não está sendo realizada na pequena Pinheiral, de 22,5 mil habitantes.

- A nossa preocupação é manter os serviços de saúde. Temos alimentação [para os hospitais] e combustível para até a próxima segunda-feira, mas a coleta de lixo, que é terceirizada, só está garantida até domingo – afirmou na manhã desta sexta o prefeito de Volta Redonda, Samuca Silva, que se encontrou com outros administradores de cidades da região na CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas).

Segundo Samuca, a alimentação dos servidores públicos já foi cortada. A prefeitura determinou que cada secretaria procure alternativas, como liberar os funcionários para almoçar em casa. A alimentação é fornecida pela FBG (Fundação Beatriz Gama). Só para a Secretaria de Infraestrutura são cerca de 400 quentinhas por dia, que já foram suspensas, levando, consequentemente, à interrupção dos trabalhos de rua, como tapa-buracos e capina.

A merenda escolar em Volta Redonda só não acabou porque, com a suspensão das aulas, não estão sendo fornecida aos alunos. Mesmo assim, o estoque é muito baixo.

Na manhã desta sexta-feira, o estoque de combustível da prefeitura era avaliado como suficiente para manter os serviços essenciais até a próxima terça-feira. Isso com todo o contingenciamento feito ao longo desta semana. “Na Guarda Municipal, por exemplo, em vez de o carro ficar rodando, as viaturas estão sendo mantidas em pontos fixos, para também não deixar a cidade sem o apoio  da corporação na segurança”, acrescentou o prefeito de Volta Redonda.

A questão do lixo, no caso de Volta Redonda, é ainda mais complexa, porque tudo o que é recolhido na cidade é levado para descarte em Barra Mansa, fazendo com que os caminhões tenham que percorrer, fora a circulação pelas ruas da cidade, cerca de 40 quilômetros de ida e volta até a Central de Tratamento de Resíduos (CTR), na Estrada Barra Mansa-Bananal. “Queremos conscientizar a população: não vai ter recolhimento de lixo, se a greve continuar, a partir de segunda-feira. Simples assim, não haverá mais o que fazer. A partir de segunda-feira não haverá também alimentação nos hospitais, transporte de pacientes, enfim, vai parar tudo”, resumiu Samuca.

O prefeito ponderou que, diante do quadro que está se aproximando, o governo até poderia decretar estado de calamidade, mas a medida seria inócua: “Quando se decreta estado de calamidade é para tomar medidas emergenciais de contratação. Mas não tem como contratar, porque não há logística [para a entrega dos produtos]. É legítima a manifestação [dos caminhoneiros], mas a população começa a ser prejudicada do ponto de vista da saúde pública”.

Busca por combustível

O prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable, disse que a garantia de manutenção dos serviços da Guarda Municipal, das ambulâncias e da coleta de lixo não passa de segunda-feira. “Estamos muito preocupados como será mantida a alimentação nos hospitais. A partir de segunda-feira, ficará mais grave. Estamos num plano de contingência para manter o que é mais essencial. Só que, sem combustível, a cada dia que passa fica mais difícil”, disse.

Drable disse que medidas de contingência reduziram de 30 mil para mil litros diários o consumo de combustível. Na manhã desta sexta, a prefeitura dispunha de apenas cinco mil litros em estoque: “Com este total, até segunda-feira a gente consegue manter o básico, se não surgir nenhum imprevisto. A frota da prefeitura está parada”.

O prefeito disse que está tentando negociar a liberação de combustível para a prefeitura como forma de evitar um caos completo na administração. “Sem combustível, não temos o que fazer”.

Hospital no limite

Greve deixa cidades da região à beira de colapso administrativo

Francisco Perota (à direita) ao lado do prefeito de Rio Claro, José Osmar

O vice-prefeito de Piraí, Francisco Perota, revelou que o recolhimento de lixo na cidade, feito pela própria prefeitura, não está sendo feito, desde que a greve começou, em alguns bairros situados às margens da Via Dutra, porque os caminhões serão bloqueados, como no acesso à cidade pelo posto Nacional, às margens da estrada.

- As aulas estão suspensas, com previsão de retorno na segunda-feira, desde que o movimento seja encerrado. Atendimentos de saúde fora da cidade também estão suspensos. Quanto à coleta de lixo, depois de segunda-feira não teremos mais como prestar o serviço – disse Perota.

Enquanto estava a caminho de Volta Redonda, o vice de Piraí foi informado de que, também a partir de segunda-feira, o Hospital Municipal Flávio Leal, entidade filantrópica que tem o apoio do município, não terá mais como fornecer alimentação aos pacientes e acompanhantes.

As duas empresas de ônibus que atendem à cidade estão circulando, segundo ele, com apenas 30% da frota.

O transporte público, por sinal, é outra preocupação para os governantes das cidades da região. Nesta sexta-feira, a Viação Sul Fluminense, que detém o maior número de itinerários urbanos em Volta Redonda e em linhas intermunicipais ligando a cidade a Barra Mansa circulava com apenas metade dos carros. Segundo a direção da empresa, o estoque de combustível não passa de segunda-feira.

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