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Cidades

Fogo em vegetação se alastra e atinge cooperativa de recicláveis em Volta Redonda

13/09/2020 12:36:53

Um incêndio em vegetação no bairro Siderópolis, que começou no final da noite do sábado (12), saiu de controle e atingiu a sede da Cooperativa de Catadores e Catadoras Reciclar-VR, localizada na Rua 35, no vizinho bairro Sessenta, causando um prejuízo ainda impossível de ser avaliado. O fogo só foi controlado por volta das 6 horas deste domingo (13), depois de destruir as oito baias de um dos três galpões da cooperativa, que conta com 25 associados.

A diretora-financeira da cooperativa, Valéria de Lourdes Martins Siqueira, de 45 anos, disse que, devido à tragédia, o material queimado fogo foi completamente perdido. Ela calcula um volume de cinco caminhões de produtos inaproveitáveis.

Além disso, os três galpões estão interditados. Segundo ela, os bombeiros acreditaram que o fogo não fosse se alastrar tanto, uma vez que a brigada de incêndio da CSN já fazia o combate às chamas na parte alta, onde o terreno pertence à empresa.

“Mas o fogo estava forte demais”, disse a cooperada, que, junto com outros associados se encontrava no local, de prontidão, pois ainda havia focos de incêndio nos arredores da cooperativa. Outra preocupação: no depósito havia 38 gatos e dois cães que foram abrigados por terem sido abandonados no local. “Até agora só reencontramos 10 animais”, afirmou Valéria no início da tarde.Ela explicou que o material queimado está definitivamente perdido, em parte por obra do fogo, e também porque máquinas tiveram que passar e revirar outra para conter as chamas.

Fogo em vegetação se alastra e atinge cooperativa de recicláveis em Volta Redonda

PARADOS – O fato é mais duro golpe para os catadores da Reciclar-VR, que, desde o início da pandemia do novo coronavírus, não estão podendo trabalhar devido às restrições determinadas pela prefeitura de Volta Redonda para conter o contágio de Covid-19. Antes da pandemia, apenas a Reciclar vendia em média 40 toneladas de material reciclado e já triado. Atualmente, eles recebem de moradores que levam à cooperativa produtos recicláveis, mas em pequena quantidade, que por isso ainda nem haviam passado pela triagem.

“A gente está esperando um auxílio que foi prometido pela prefeitura e, ao mesmo tempo, tentando ver se a Defensoria Pública consegue nos ajudar, pois precisamos trabalhar, mesmo correndo riscos”, destacou a diretora. Segundo ela, os cooperados estão recebendo o auxílio emergencial do governo federal, mas precisam retornar às atividades ainda mais agora, quando a ajuda federal cairá pela metade, de R$ 600 para R$ 300. “Eu, por exemplo, pago aluguel. Como vou dizer ao proprietário que não tenho como pagar?, questionou.

NO LOCAL – O incêndio ocorreu apenas três dias depois da audiência pública realizada pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro (DPRJ) e Defensoria Pública da União (DPU) em Volta Redonda que discutiu a situações dos catadores de recicláveis na cidade. Pela manhã, o defensor João Helvécio de Carvalho foi ao depósito para averiguar a dimensão do estrago. Ele contou que, desde março, quando a pandemia suspendeu o trabalho dos catadores, as Defensorias cobram do município o pagamento de um auxílio emergencial aos catadores. Uma recomendação neste sentido foi expedida, mas “até hoje está na Procuradoria-Geral do Município”, lembrando que, desde 2017, o serviço passou a ser remunerado pela prefeitura.

“Na audiência pública foi criado um comitê, ficando decidido também que a prefeitura vai elaborar um projeto de lei regulamentando a coleta seletiva por cooperativas em Volta Redonda”, informou. Basicamente, o projeto estabelecerá a regulamentação permanente das cooperativas de catadores de recicláveis, que poderá ser exponencialmente ampliado.

João disse ainda que também foi elaborado um documento com “eixos de responsabilização” em relação ao tema, além de estabelecer a volta “segura e gradual” do serviço, considerado essencial pelas Defensorias Públicas.

“Ainda não foi aprovado pela prefeitura um protocolo para este serviço, que é tão essencial quanto os outros que já foram liberados”, ressaltou João Helvécio. De acordo também com ele, com o trabalho dos catadores suspenso, o material reciclável está indo, desde o início da pandemia, para o aterro sanitário contratado pelo município.

Além da Reciclar-VR, Volta Redonda conta com outras duas cooperativas – Folha Verde e Cidade do Aço – que funcionam no bairro Voldac e reúnem cerca de 40 cooperados.

A audiência pública contou com a participação de órgãos como o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), MPT (Ministério Público do Trabalho), UFF (Universidade Federal Fluminense), Sicomércio (Sindicato dos Comércio Varejista) e prefeitura. Um dos assuntos tratados também foi a necessidade de engajamento no assunto dos chamados grandes geradores de resíduos, conforme previsto na lei que estabeleceu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRL). (Imagens: Divulgação)

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