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Cidades

Feirantes de VR divergem sobre volta ao modelo anterior à pandemia

19/09/2020 14:29:33

A intenção da prefeitura de Volta Redonda de retornar com a feira-livre nos moldes anteriores à pandemia de Covid-19 – anunciada na última quinta-feira (17), pelo prefeito Samuca Silva – não encontra consenso entre os feirantes. Pelo menos até agora. Ao fazer o anúncio do acordo com o Ministério Público (MPRJ), o prefeito falou em juntar os dois setores – alimentação e roupas – novamente, ressaltando apenas a necessidade de se manter as regras de prevenção, como o uso de máscaras, e a proibição de provadores de roupas.

No entanto, as informações parecem desencontradas. Entre os feirantes dos dois setores, inclusive de quem está conversando com os representantes da prefeitura, o que se comenta é que a administração estaria planejando retomar o modelo original apenas de quinta-feira ao sábado. Na terça e na quarta-feira, a junção dos dois segmentos não ocorreria porque o espaço onde a feira é montada – na Volta Grande II e no Sessenta – é pequeno para abrigar todas as barracas e haveria aglomeração.

Este é apenas um dos pontos que não estão até agora bem esclarecidos. Mas há outro que pode acarretar em dificuldades de entendimento: a feira de domingo, que tradicionalmente ocorre na Rua 14, na Vila Santa Cecília.

Considerado o melhor dia de venda dos feirantes, desde que a autorização para o retorno das barracas acontecesse houve uma divisão: o setor de roupas e calçados permaneceu na Vila, enquanto o de alimentos (verduras, legumes, frutas e outros) foi para o bairro Sessenta. Agora, o setor de roupas acha que deve ficar como está, enquanto o de alimentos entende que, se for para retornar à Vila aos domingos, teria que ser como era antes, com cada barraca recolocada em seu ponto original.

Outra questão a se destacar: há muitos feirantes preocupados com a volta do modelo original, sem que ainda esteja disponível uma vacina contra o novo coronavírus. O temor deles é que a junção gere aglomeração, aumento de casos e, consequentemente, risco de nova suspensão da atividade justamente quando o Natal estará batendo à porta.

“Se for pra voltar [para a Vila Santa Cecília], queremos que seja para os pontos onde ficávamos anteriormente. Voltar para um ponto que não era da gente é ter que recomeçar tudo de novo”, diz Eva Aparecida Vilela.

Roberto Carlos Garcia, o Betinho, que também vende verduras na feira, concorda com a colega: “Tem que ver a feira como um todo. Se for para voltar em outro ponto, é preferível ficar como está. Se tirar o pouco que o feirante está conseguindo manter, por causa da pandemia, aí complica”.

Ladeil Gonçalves, que já foi presidente da associação dos feirantes, também entende que o retorno aos moldes originais deve garantir aos vendedores o espaço onde eles atuavam antes. E aponta uma “certa picuinha” entre os dois segmentos da feira como um fator que não pode atrapalhar as definições. “Estamos todos no mesmo barco”, diz ele, apontando outro ponto que é motivo de preocupação de muitos: “Acho que ainda não está na hora de voltar ao que era antes. É preciso agir com sabedoria, pensar em todos. Do jeito que está, não ficou ideal, mas pelo menos todo mundo está trabalhando”.

Feira de roupas quer que fique como está

Feirantes de VR divergem sobre volta ao modelo anterior à pandemia

A pandemia desmembrou também a feira-livre de sábado, que acontece no Aterrado. O segmento de roupas saiu do núcleo central do bairro, onde permaneceu o de alimentos, e foi alojado nas proximidades da capela mortuária. Se alguém pensa que os comerciantes não gostaram, está enganado.

“Prefiro ficar aqui. Não atrapalha ninguém. Até os clientes estão preferindo”, disse Débora Gripe, que atua na feira há duas décadas, temerosa que a reunião de todas as barracas gere aglomeração, explosão de casos de coronavírus e fechamento de novo. Ela diz que houve queda nas vendas, mas não por causa da mudança de lugar e, sim, da pandemia.

Com 30 anos na feira-livre, Janderson Pereira Masiero, também do setor de roupas, diz ser totalmente contra reunir as barracas novamente agora. “A pandemia não acabou. Pode haver uma regressão justamente no fim do ano. Além disso, os clientes estão gostando e eles devem ser a prioridade. Não atrapalha o trânsito, tem lugar à vontade para estacionar e não tem aquela bagunça de antes: a marcação dos locais de cada barraca está funcionando perfeitamente”, avalia, lembrando ainda que a aglomeração coloca em risco os feirantes, cuja maioria é idosa.

Outro que alerta a pandemia não chegou ao fim é Dirceu Carlos de Almeida. “Por isso acredito que é melhor deixar como está pelo menos até a virado do ano. Se é para não ter aglomeração, então não tem o que se fazer agora”.

Integrante da associação que representa os feirantes, Edmar Sales Oliveira resume o pensamento nas barracas de alimentos: “A maioria quer voltar se for como era antes. Se não, é melhor ficar como está”, disse ele, admitindo que nem todos estão falando a mesma língua – leia-se alimentos x roupas – justamente por causa da feira de domingo: “Está tendo um empecilho quanto ao domingo, porque tem um setor que quer se beneficiar. Não queremos prejudicar A ou B. Estamos dispostos a dialogar”, declarou à reportagem. De acordo com ele, hipóteses como abrigar as barracas de alimentos na Praça Brasil ou mesmo na rua atrás do estacionamento da Cúria Diocesana não foram aceitos. “Na rua da Cúria não caberia”, disse ele. “E a Praça Brasil é lugar de lazer”, disse outro feirante, que pediu para não ser identificado.

A feira-livre tem cerca de 260 barracas, metade atuando em cada segmento. (Fotos: Foco Regional)

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