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Documentário marca os 30 anos da greve na CSN

09/11/2018 08:14:18

"1988 – Uma greve, Corações e Mentes”, documentário dirigido pelo professor, historiador e documentarista Erasmo José da Silva, do Coletivo 9 de Novembro, será lançado nesta sexta-feira, em Volta Redonda, para lembrar os 30 anos da histórica greve dos metalúrgicos da CSN, que resultou em três mortes na Usina Presidente Vargas. O lançamento será às 19 horas, no auditório central da Universidade Federal Fluminense (UFF), no Aterrado.

Com cerca de uma hora e 40 minutos de duração, a produção mantém viva a memória de William Fernandes Leite, de 22 anos, Valmir Freitas Monteiro, de 27, e Carlos Augusto Barroso, de 19, mortos pelo Exército, que invadiu a fábrica ocupada pelos trabalhadores em greve por reajuste salarial, redução da jornada de trabalho e melhores condições de trabalho. O confronto e seus desdobramentos teve repercussão internacional e colocou em risco o retorno do Brasil à democracia depois de três décadas de ditadura militar.

“Espero que o filme, que nasce da necessidade de resgatar a história e preservar a identidade dos trabalhadores, abra, de forma acadêmica, sobretudo, novos debates, num momento em que a democracia e liberdade de expressão estão feridas e ameaçadas pelo fascismo, e seja inspiração de luta e resistência para o país”, diz Erasmo. Ele lembra que até hoje as famílias dos operários não foram ressarcidas. “Nem moral e nem financeiramente. A União deve, no mínimo, um pedido de desculpas aos parentes de Willian, Valmir e Barroso, e ao povo de Volta Redonda”, cobra. 

Para fazer o documentário, Erasmo dedicou três anos reunindo imagens fotográficas, filmes e depoimentos de diversos personagens e representantes de instituições e veículos de comunicação. A obra só teve apoios isolados e voluntários, além de parceria com a TV Universitária de Volta Redonda (TVR) e Centro Acadêmico Dom Waldyr Calheiros (Cadom), entidades ligadas à Universidade Federal Fluminense em Volta Redonda, além do Centro de Memória do Sul Fluminense (Semesf-VR).

“Não tivemos um centavo de ajuda de nenhuma central sindical, nenhum sindicato ou organização operária, sequer para os deslocamentos das nossas equipes de cinegrafistas, produtores, e pessoal de apoio”, lamenta Erasmo, ressaltando que até a trilha sonora foi feita de graça para o filme, através de músicos como Ciron Silva e Guto Souza, e Carlos Eduardo Gíglio (Cikunlókios), além da banda punk paulista “Garotos Podres”.

- A memória do principal marco da luta trabalhista do Brasil recente, que jamais pode ser esquecida, é também homenagem a ao bispo dom Waldyr Calheiros, o maior símbolo de luta que os metalúrgicos de Volta Redonda já tiveram – acrescenta o professor.

A GREVE – A greve de 1988 começou no dia 7 de novembro e contou com forte apoio popular e da Igreja Católica, através do bispo Dom Waldyr Calheiros. Dois dias depois, por ordem do comandante Militar do Leste, general Jopsé Luiz Lopes, soldados do Exército de vários batalhões do estado (mas a maior parte do 22º BIMtz – Batalhão de Infantaria Motorizado, de Barra Mansa), além do Batalhão de Choque da Polícia Militar, enviado pelo então governador do estado, Moreira Franco, invadiram a usina, tomada pelos trabalhadores, que portavam pedaços de pau e barras de ferro. William levou um tiro na nuca; Walmir foi atingido no peito. Barroso teve o crânio esmagado por coronhadas de fuzil.

Do lado de fora da usina, policiais militares entraram em confronto também com moradores, o que resultou num grande distúrbio na Vila Santa Cecília, onde lojas tiveram as vitrines depredadas e até pessoas que apenas estavam a caminho de casa, saindo do trabalho no comércio, foram agredidas por policiais militares.

Mesmo depois do caos, a greve durou até o dia 23, quando foi encerrada pelo então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Juarez Antunes, com a garantia do atendimento de todas as reivindicações. Juarez – que era deputado federal do PDT – viria a ser eleito logo em seguida prefeito de Volta Redonda, morrendo três meses depois numa viagem de carro para Brasília.

EXPLOSÃO– A greve de 88, no entanto, de certa forma prosseguiu para o ano seguinte. No 1º de maio de 1989, foi inaugurado na Praça Juarez Antunes o Memorial 9 de Novembro, projetado por Oscar Niemayer (1907-2012). Na madrugada seguinte, o monumento foi explodido por uma bomba.  

O monumento foi restaurado, mas não na sua posição original, conforme sugeriu Niemayer, para não apagar as marcas da violência. (Fotos: Acervo Sindicato dos Metalúrgicos)

Documentário marca os 30 anos da greve na CSN

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