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Internacional

Chile enfrenta maior revolta social das últimas décadas

Descontentamento com Previdência alimenta crise

21/10/2019 12:17:47

Supermercado incendiado em Santiago: Desigualdade social mobiliza chilenos

A capital do Chile, Santiago, foi marcada por protestos no último fim de semana. Depois de os confrontos terem feito pelo menos 11 mortos, o governo chileno declarou estado de emergência nas cidades do norte e sul do país no domingo. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, afirmou que o país está "em guerra" contra os "criminosos" responsáveis pelos protestos violentos que começaram na última sexta-feira.

"Estamos em guerra contra um inimigo poderoso e implacável, que não respeita nada ou ninguém e que está disposto a usar a violência sem limites, mesmo quando isso significa a perda de vidas humanas, com o único objetivo de causar o máximo de dano possível", disse  Piñera.

Os protestos contra o governo começaram na capital, mas já se estendem a outras cidades. O aumento, entre 800 e 830 pesos (correspondente a 1,04 euros), no preço dos bilhetes do metrô, que transporta diariamente cerca de três milhões de passageiros, desencadeou as violentas manifestações contra o elevado custo de vida e as desigualdades sociais no país.

Sebastián Piñera diz que compreende que os cidadãos se manifestem, mas que considera "verdadeiros criminosos" os responsáveis pelos incêndios, as barricadas e pilhagens, assim como pelos mortos e feridos.

Os confrontos entre autoridades e manifestantes começaram quando, na sexta-feira, a polícia tentou bloquear as manifestações. Em protesto, os habitantes de Santiago saíram às ruas para expressar descontentamento pelo aumento do custo de vida. Durante o fim de semana, os protestos estenderam-se a outras cidades.

No sábado, o presidente chileno decretou estado de emergência na capital por 15 dias e suspendeu o aumento dos preços dos transportes. No entanto, as manifestações e os confrontos prosseguiram. Os manifestantes alegam a degradação das condições sociais e as desigualdades, uma vez que as áreas da saúde e da educação são quase totalmente controladas pelo setor privado.

O estado de emergência permanece em vigor na capital e em outras regiões do país, com a mobilização de mais de 10 mil policiais.

O país sul-americano enfrenta uma onda de protestos – que começou com críticas ao aumento na tarifa do metrô, mas que foi alimentada pela má qualidade dos serviços públicos.

De acordo com  Andras Uthoff, professor da Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile e doutor em Economia pela Universidade de Berkeley, o descontentamento com o sistema de previdência é uma das razões que tem levado milhares às ruas no Chile.

- Os manifestantes veem que seus pais e avós recebem aposentadorias de miséria, 80% delas abaixo do salário mínimo e 44% da linha de pobreza. Percebem que, dessa forma, não há capacidade de sobreviver dignamente – diz Uthoff. (Foto: Reprodução internet)

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