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Política

Câmara reprova contas e torna Neto inelegível

17/04/2017 20:30:58

Rei morto, rei posto. Nenhum ditado costuma ser tão verdadeiro quanto este na política brasileira. Conforme o próprio Antônio Francisco Neto já esperava, a Câmara de Volta Redonda manteve, por 15 votos a 6, o parecer do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) contrário à sua prestação de contas do exercício de 2011, na sessão realizada na noite desta segunda-feira, que contou com reforço de segurança da Polícia Militar e da Guarda Municipal. Pessoas foram revistadas antes de seguirem para o plenário.

Até mesmo vereadores do PMDB, partido do ex-prefeito, votaram contra ele, com o plenário lotado – sobretudo por servidores – e a previsível manifestação contra os que tentaram defender Neto, que governo Volta Redonda duas vezes com dois mandatos executivos (1997-2000, 2001-2004, 2009-2012 e 2013-2016). Na última quinta-feira, em entrevista ao FOCO REGIONAL, Neto já tinha admitido que não teria nem de longe os 14 votos necessários para mudar o parecer do TCE. Com o parecer do TCE-RJ mantido, o ex-prefeito fica inelegível por oito anos e nem pode ocupoar cargos públicos.

Votaram pela manutenção do parecer do órgão fiscalizador Francisco Novas (PP), Pastor Washington (PRB), Laydson (PMDB), Maurício pessoa (PSC), Paulinho do Raio-X (PMDB), Rosana Bergone (PRTB), Luciano Mineirinho (PR), Issac (PEN), Vair Duré (PP), Tigrão (PMDB), Rodrigo Furtado (PTC), José Augusto (PDT), Édson Quinto (PR), Paulo Conrado (PRTB) e Washington Granato (PTC).

A favor de Neto – e pela rejeição do parecer – os votos foram do presidente da Casa, Sidney Dinho (PEN), Fábio Buchecha (PTB), Jari (PSB), Neném (PSB), Fernando Martins (PMDB) e Carlinhos Santana (SD).

Nesta terça-feira, serão votadas as contas do ex-prefeito de 2013 e, na quinta-feira, as 2014, que também tiveram parecer contrário à aprovação pelo TCE-RJ. Com Neto ainda no cargo, ano passado suas contas de 2012 foram aprovadas pelos vereadores que compuseram a legislatura anterior, mesmo tendo também parecer contrário do tribunal.

Câmara reprova contas e torna Neto inelegível

- Os vereadores externaram seus votos e colocaram um fim à esta novela que se arrastava desde 2013. As próximas votações das contas estão mantidas – disse Dinho ao final da sessão, quando disse não ter sido surpreendido pelo resultado. Ele justificou seu voto a favor do ex-prefeito pelos últimos acontecimentos relacionados ao TCE-RJ, que teve no mês passado cinco conselheiros presos, enquanto o relator das contas de Neto se suicidou.

- Na minha opinião este tipo de votação não deveria vir parar no Legislativo. Feito o relatório por um corpo técnico é uma covardia que se faz entregar isso nas mãos de políticos. O corpo técnico faz todo um trabalho, que vai para as mãos de um relator do Tribunal de Contas. E temos hoje um quadro no estado do Rio de Janeiro em que sai num jornal que 70 prefeituras pagavam uma caixinha para não serem incomodadas pelo TCE. E a prefeitura de Volta Redonda não estava inserida.  O relator do processo de 2011 deu um tiro na cabeça depois de saber que o TCE estava sendo investigado e que muitas coisas viriam à tona. Tem um cidadão que foi presidente do TCE que, em delação premiada, colocou mais cinco conselheiros na cadeia. Entendo que a administração pública é regida por princípios institucionais: legalidade, impessoalidade, mortalidade e eficiência. Pergunto: onde está a impessoalidade e a moralidade destas pessoas para me dar direcionamento para votar? – questionou.

Antes da votação, vereador critica assessor de Samuca

Câmara reprova contas e torna Neto inelegível

Usando a tribuna da Câmara, antes da ordem do dia, o vereador Carlinhos Santana criticou o empresário Mauro Campos Pereira, assessor especial do prefeito Samuca Silva e presidente da Construção Civil do Sul Fluminense - Sinduscon (e não da Associação Comercial de Volta Redonda, como publicado originalmente). Santana se referiu a uma mensagem que Campos – presente na sessão – teria enviado a outros empresários criticando o vereador porque ele teria criticado o setor empresarial em outro pronunciamento.

- É uma mentira. Em momento algum falei mal dos empresários, embora seja mais contundente na defesa dos trabalhadores. Esse discurso é mentiroso e parte de uma pessoa que é assessor especial do prefeito – discursou o parlamentar, que chegou a ironizar o empresário dizendo que quem lhe passou a mensagem não seria tão amigo de Campos quanto este poderia imaginar.

Campos tentou retrucar, mas o vereador prosseguiu e ganhou o apoio de Dinho e Fernando Martins. “A tribuna livre já foi aprovada em primeira votação e será votada novamente. Por enquanto, quem quiser falar que se candidate, se eleja vereador e use a tribuna”, cutucou Dinho, enquanto Martins, dizendo respeitar e admirar Campos, afirmou haver na cidade “empresários caloteiros, que devem impostos como o IPTU e vão empurrando com a barriga”.

Alterada às 21h13min

 

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