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Economia

BR Metals fecha em Barra do Piraí deixando 700 desempregados e incertezas sobre acordo

Atualizado em 12/02/2016 11:40:24

O grupo paulista Sifco decidiu encerrar as atividades da BR Metals Fundição, em Barra do Piraí, deixando um rastro de 700 desempregados. As demissões foram iniciadas em outubro do ano passado. Até novembro, 300 trabalhadores perderam o emprego. O restante recebeu o anúncio da dispensa no começo deste ano, paralelamente ao aviso do fim da produção. A unidade produzia peças fundidas para automóveis, tratores e máquinas da construção pesada. Por enquanto, estão mantido apenas empregados que contam com estabilidade no emprego, como membros da Cipa (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e sindicalistas.

Nesta quinta-feira, uma comissão formada por um representante do Sindicato dos Metalúrgicos de Barra do Piraí, o diretor Walmir Braga, e dois ex-funcionários da fábrica, além do padre Juarez Sampaio, pároco de Barra do Piraí, esteve com o gerente regional do Trabalho em Volta Redonda, Luiz Felipe Monsores Assumpção, para pedir uma mesa-redonda com a direção do grupo, a fim de garantir o cumprimento de um acordo para o pagamento das rescisões que, segundo eles, a empresa anunciou, às vésperas do Carnaval, que não terá como manter.

A comissão, acompanhada pelo integrante do Movimento Ética na Política (MEP) de Volta Redonda, José Maria da Silva, o Zezinho, esteve também com o presidente da OAB na cidade, Alex Martins.

RECUO - Pelo termo assinado entre o sindicato e procuradores da empresa, a BR Metals se comprometeu a pagar, de forma parcelada, as verbas rescisórias e multa do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço), no dia 19 de cada mês, garantindo valor equivalente a 90% do salário líquido de cada trabalhador.

- Só que a empresa avisou, antes do Carnaval, que já não terá como cumprir o acordo a partir de março – afirma Geraldo Muniz, membro da comissão e ex-gerente industrial da fábrica, que optou por ficar ao lado dos trabalhadores. Demitido em outubro do ano passado, antes da primeira leva de demissão em massa, ele tinha sido indicado pela empresa para conduzir o processo de encerramento da operação em Barra do Piraí, mas não se conforma com o descumprimento do acordo. “Isso feriu todos os princípios que defendi nos 11 anos em que trabalhei na fábrica”, explica Geraldo.

O sentimento entre os demitidos é de muita incerteza, principalmente os 217 que já estavam em layoff e não poderão recorrer ao seguro-desemprego. Pela lei do layoff, o trabalhador tem seu contrato de trabalho suspenso, passando a receber do governo justamente o seguro-desemprego, enquanto a complementação do salário fica por conta da empresa.

BR Metals fecha em Barra do Piraí deixando 700 desempregados e incertezas sobre acordo

Outra questão que está atormentando os trabalhadores é quanto ao FGTS, que a BR Metals não recolhe há quatro anos, segundo a comissão. O tema ficou de fora do acordo assinado. Na quinta-feira da semana passada, a BR Metals distribuiu um comunicado aos ex-empregados dando conta de que todos os pagamentos, vencidos e a vencer, serão suspensos entre fevereiro e setembro, sendo reiniciados em outubro deste ano para serem quitados somente em fevereiro do ano que vem. Antes, dizem os membros da comissão, a empresa teria se comprometido a pagar a dívida em cinco parcelas. “Já descumpriram o acordo verbal e anunciaram não ter como cumprir o que foi assinado”, ressalta Geraldo.

A comissão decidiu procurar a Gerência Regional do Trabalho para tentar uma mediação. Luiz Felipe disse que bastará que o pedido seja protocolado para que a empresa seja convidada a participar de uma mesa-redonda.

A Sifco enfrenta dificuldades desde antes do agravamento das condições econômicas do país. Tanto que, em abril de 2014, entrou em processo de recuperação judicial para tentar renegociar uma dívida de R$ 500 milhões na ocasião. A BR Metals foi fundada em 1952. A companhia pertenceu à ThyssenKrupp até 2006, quando o conglomerado internacional abandonou a atividade de fundição no Brasil e em outros países. A fábrica chegou a ter dois mil funcionários.

Em 2006, as famílias Lima e Haddad adquiriram a BR Metals, vendida à Sifco em outubro de 2011, quando se constituía numa das principais produtoras brasileiras de peças fundidas e usinadas em ferro.

Até o momento da publicação desta nota, o FOCO REGIONAL não tinha conseguido estabelecer contato com a representação da empresa para falar a respeito.

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