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Estado

Bombeiros promovem primeira mulher a tenente-coronel

Militar fez parte da primeira turma de oficiais combatentes com participação feminina

06/03/2018 11:48:04

A Subdiretora e instrutora da Escola de Defesa Civil (Esdec) do Corpo de Bombeiros, Kellen Salles acaba de se tornar a primeira mulher tenente-coronel combatente da corporação. Ela fez parte da primeira turma de oficiais combatentes, em que houve o ingresso do público feminino. Nascida em Realengo, na Zona Oeste, filha de uma auxiliar de enfermagem e de um motorista, Kellen ingressou nos bombeiros aos 20 anos em uma turma com 22 mulheres.

– É uma responsabilidade servir como modelo. Fiz diversos cursos e realizei o sonho de ser instrutora da Esdec e da Academia de Bombeiro Militar Dom Pedro II. Também fui a primeira oficial combatente a trabalhar na Esdec e a única até o momento – explicou a oficial.

Ela concedeu uma entrevista à Secretaria de Comunicação do governo do estado. Leia a íntegra.

Quando você era mais jovem, imaginava que um dia estaria no posto de oficial militar?

Desde criança sonhava em ser militar, meus olhos brilhavam com as lindas fardas, apesar de não ter militares na família. Sou filha de uma auxiliar de enfermagem e de um chofer. Só pensava em garantir uma profissão com um segundo grau técnico. Fiz Processamento de Dados.

O que a fez acreditar que era possível?

Um amigo, ao entrar para o IME (Instituto Militar de Engenharia), me orientou a fazer um curso preparatório. Mesmo com poucos recursos, consegui fazer. Ganhei uma bolsa de estudos e comprava livros em sebos.  No segundo ano de preparatório, obtive aprovação na Academia da Força Aérea (AFA) e na EsFAO (Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Oficiais do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro). Já sabia que era a primeira turma que teria mulheres. Acreditei que poderia realizar meu sonho.

Quantos anos tinha quando ingressou nos bombeiros?  

Passei no concurso com 20 anos. Foi uma alegria e uma preocupação, porque precisava me apresentar com uma lista de materiais, mas meu pai estava desempregado e, sem o material, teria que recusar a vaga tão sonhada. Mas um casal de vizinhos, sabendo como era importante a oportunidade, me deu de presente o enxoval.

Como foram os primeiros anos?

Éramos uma turma de 22 mulheres. Foram três anos de academia com muitos obstáculos e superações. Dia 15 de setembro de 2001, tirei meu primeiro serviço como cadete no 12º GBM (Jacarepaguá). Foi um evento grave, uma colisão envolvendo ônibus, carro e poste com muitas vítimas.  Toda aquela cena me fez refletir e me apaixonar pelo Corpo de Bombeiros, pois entendi que ali eu poderia ser útil e cumprir a missão mais valiosa, que é a de salvar vidas. Ao concluir a Academia, recebi o Prêmio General Lírio, por me formar com todas as notas altas.

Como foi a adaptação da corporação à primeira turma feminina?

Comandantes e instrutores receberam treinamentos sobre as questões femininas e fisiológicas das mulheres. Quando nos formamos, os quartéis não estavam preparados: os locais passaram por obras para se adaptar ao grupo feminino. Foi um aprendizado para todos. Em 17 anos de corporação, melhorou muita coisa, mas ainda existem barreiras a serem vencidas. Não pela instituição, mas no geral nós, mulheres, precisamos provar nossa capacidade apesar do gênero.

Como você avalia suas experiências durante esse tempo?

Agradeço a todas as experiências: atuar e comandar equipes em grandes desastres, resgates, grandes eventos... Gosto muito de ser instrutora. Fiz diversos cursos e realizei o sonho de ser instrutora da Esdec e da Academia de Bombeiro Militar Dom Pedro II. Também fui a primeira oficial combatente a trabalhar na Esdec e a única até o momento.

Quais são suas funções hoje?

Depois de um período de três anos na Defesa Civil Municipal, onde participei do comitê de segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, sendo responsável pelo planejamento estratégico, tático e operacional das ações da DC, retornei à Esdec, onde me tornei também instrutora da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, além de ser instrutora da Escola de Defesa Civil e atualmente subdiretora. Como gosto dessa área de ensino, estou fazendo uma pós de Gestão Escolar.

Você acredita que está abrindo mais espaço para as mulheres?

Sim, é uma responsabilidade servir como modelo. Muitas delas vêm falar comigo sobre isso, tentam se espelhar. Amo o que eu faço, não penso em ter outra profissão. (Foto: Divulgação)

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