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Esporte

Barra Mansa deve terceirizar futebol por 5 anos

04/01/2017 17:18:01

O Barra Mansa disputa com a Ponte Preta, de Campinas, o título de primeiro clube profissional da história do futebol brasileiro. Porém, enquanto o time campineiro figura na primeira divisão do estado de São Paulo e do Campeonato Brasileiro, o Leão do Sul pena para manter-se em atividade. Ano passado, o clube conseguiu disputar pela primeira vez a Série A do Carioca, mas, desestruturado, acabou sendo novamente rebaixado.

A saída para arrumar a casa está num contrato que vem sendo discutido com uma empresa para gerir o futebol profissional do clube, a partir deste ano – incluindo ainda algumas categorias da base. O anúncio foi feito na tarde desta quarta-feira, na sede do Sindicato dos Bancários, no Centro da cidade, pelo presidente Anderson Florentino, o Andrinho, ao apresentar a nova composição da diretoria. Ele não quis revelar com quem está negociando, apenas adiantou que trata-se de uma empresa que já tem experiência em iniciativas como esta, inclusive com o Fluminense.

- Neste momento, se não fizemos isso, não temos condições [de manter um time profissional]. O Barra Mansa hoje não tem receita e achei melhor colocar nas mãos de quem pode ajudar – disse ele.

Segundo o dirigente, alguns pontos do contrato, como o prazo – que o Barra Mansa quer de cinco anos – ainda estão sendo discutidos, mas já está definido que caberá aos gestores pagar a dívida do Barra Mansa, que só na área trabalhista soma cerca de R$ 400 mil. A ideia é fixar um percentual para o abatimento  gradual do valor.

 - O Barra Mansa é um clube centenário, é um time profissional e tem que ter gestão profissional – resumiu Andrinho.

Segundo ele, de sua gestão, iniciada no começo do ano passado, o clube não tem dívidas a pagar, exceto com a Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, no valor de R$ 32 mil – que já foi parcelada.  “Nossa preocupação é não aumentar o tamanho do gigante”, acrescentou o presidente, referindo-se ao passivo.

Divisão em caso de venda de jogador

Barra Mansa deve terceirizar futebol por 5 anos

Andrinho explicou que as negociações já definidas estabelecem que, se os gestores do futebol negociarem algum jogador trazido por eles, o clube terá direito a 30%. Se for revelado pelo próprio Barra Mansa, a divisão será meio a meio. Caso o contrato seja rompido de forma unilateral, a parte pagará multa de R$ 500 mil, conforme também já estaria decidido.

Além disso, caberá à empresa colocar o Estádio Leão do Sul, na Colônia Santo Antônio – que pertence ao município, mas está cedido ao clube por concessão – em condições de receber jogos oficiais. Para o presidente, o estádio se tornou um elefante branco, mas melhorias poderão ser feitas a partir de uma verba de R$ 1 milhão conseguida pelo deputado federal Alexandre Serfiotis, do qual ele é assessor parlamentar.

- Se a prefeitura quisesse ceder o estádio para o Barra Mansa, eu não aceitaria, porque, se for privado, não tem como receber este tipo de benefício – explicou.

Atualmente, o estádio está liberado para jogos com apenas 900 espectadores. Como o campeonato da Segunda Divisão estadual começa em maio (agora com a denominação Série B-1), a expectativa da diretoria do Leão é de que os novos gestores, caso o acerto se concretize, consigam cuidar da liberação dos jogos em casa, a fim de que o Barra Mansa não tenha que jogar em outra cidade quando tiver o mando de campo.

O presidente destacou que, este ano, não haverá desconto do borderô (despesas do estádio para a realização dos jogos) e que há chance de os clubes receberem um valor de direito de imagem caso a federação feche um contrato com a emissora de TV CNT para a exibição de jogos da Série B-1.

Andrinho ainda explicou que, apesar da terceirização do futebol profissional, as negociações preveem que a diretoria terá poder de veto caso discorde de alguma medida que venha a ser tomada pela empresa. Segundo ele, o técnico Luiz Fernando poderá ser mantido na comissão técnica que caberá aos novos gestores contratar.

O jornalista Alysson Costa, que agora é o diretor de Marketing do clube, informou que o plano inclui ter um jogador conhecido que norteie as ações de divulgação do time. Além dele, da nova diretoria, participaram da coletiva Walter Lopes de Souza, o Waltinho (secretário-geral), Roberto Osório da Fonseca, o Beto (tesoureiro), Odirlei Francisco de Araújo Costa (diretor Financeiro) e Alexandre Nunes (diretor de Futebol). Tambémompõem o quadro diretor Joséu Costa Oliveira (vice-presidente), Gelson José Chovart (diretor Administrativo) e Antônio Augusto Oliveira (Jurídico).

Barra Mansa deve terceirizar futebol por 5 anos

Estado de calamidade

Antes de falar sobre o futuro, o presidente do Barra Mansa fez uma espécie de desabafo devido à frustração que causou a queda do time logo no primeiro ano na elite do futebol do Rio. Segundo ele, houve pouco tempo para preparar o time no ano passado, quando ele assumiu às vésperas do início do campeonato, com problemas de toda a sorte.

- Peguei o Barra Mansa em estado de calamidade, com uma dívida de R$ 600 mil. Nosso maior patrocinador seria a prefeitura, com R$ 600 mil ao ano de subsídio, mas o dinheiro não saiu – afirmou.

Ele contou que chegou a cogitar não disputar a Série A em 2015 porque apenas de borderô teria que pagar R$ 80 mil, mas desistiu ao ser alertado pela Ferj de que a desistência resultaria em rebaixamento automático para a terceira divisão, além de R$ 50 mil de multa.

-  O que conseguimos foi um acordo com a Ferj para não pagarmos o borderô no primeiro turno. Porém, como estávamos fazendo uma boa campanha fomos denunciados por outros dois clubes e a federação exigiu então o pagamento imediato de R$ 32 mil, referente a quatro partidas. Fui lá, levei um cheque, mas eles queriam o pagamento em dinheiro e da quinta partida com o mando de campo nosso. Resultado: o time não jogou. O Barra Mansa era a bola da vez para cair – reclamou.  

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