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Polícia

Ataque a PMs expõe mais uma vez domínio do crime no Minha Casa Minha Vida

23/07/2019 21:27:21

O confronto de criminosos com dois policiais militares a serviço do GAP (Grupo de Apoio à Promotoria), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), no  final da manhã desta terça-feira, no bairro Roma, em Volta Redonda, expôs mais uma vez como os conjuntos habitacionais do programa Minha Casa Minha Vida estão dominados por bandidos. Os dois sargentos da PM estavam no residencial fazendo uma investigação, segundo confirmou a assessoria do MPRJ ao FOCO REGIONAL, quando foram cercados por homens armados.

Houve um confronto à bala. O PM Antônio Carlos Rodrigues dos Santos foi atingido de raspão no braço. Seu colega Carlos Eduardo Vieira Machado, de 43 anos, teve menos sorte. Levou dois tiros na cabeça e, até o momento desta publicação, lutava pela vida no Hospital Central da Polícia Militar, no Rio, depois de passar por uma cirurgia de emergência no Hospital São João Batista.

O episódio, também por sorte, não fez uma vítima fatal totalmente indefesa: uma menina de apenas 5 anos, moradora do condomínio, atingida por um tiro de raspão no abdômen. Juntamente com os policiais, a criança foi atendida no HSJB.

O episódio levou diversos policiais militares ao bairro e, até o momento desta publicação, havia três suspeitos presos e um quarto, provavelmente ferido, segundo a PM, era procurado. Todos foram reconhecidos pelo sargento baleado de raspão.

Mulher assassinada

Ataque a PMs expõe mais uma vez domínio do crime no Minha Casa Minha Vida

Apontado inclusive por organizações internacionais como programa habitacional entre os mais bem sucedidos do mundo para a população de baixa renda, os conjuntos do Minha Casa Minha Vida se transformaram, rapidamente, em áreas dominadas por bandidos. E não é apenas em Volta Redonda, é preciso ressaltar. A situação na cidade não é diferente de outras no estado do Rio, incluindo a capital.

Não é de hoje que os conjuntos habitacionais frequentam o noticiário policial, com frequentes apreensões de drogas e assassinatos.

Em Volta Redonda, faz pouco mais de um mês que a cerimonialista Emiliene Pereira, de 43 anos, foi morta no Residencial Ingá II, no bairro Santa Cruz, onde tinha ido visitar uma cliente. O carro dela foi atingido por um tiro que perfurou a lataria e lhe feriu nas costas. Emiliene chegou a ser socorrida, mas não resistiu. Dois suspeitos do crime foram presos pela Polícia Militar.

Volta Redonda está entre as cidades do estado mais contempladas pelo programa. Além do Roma, foram construídas duas unidades habitacionais em Santa Cruz. No São Sebastião foram três, enquanto Candelária, Três Poços e Jardim Cidade do Aço contam com um conjunto habitacional cada um. Ao todo, são cerca de 2,2 mil habitações erguidas para tirar, preferencialmente, pessoas de áreas de risco de enchentes e deslizamentos. Hoje elas convivem com outro risco, não menos grave: a convivência com criminosos. São vários os relatos de casos de moradores expulsos de suas casas.

É preciso ressaltar: a maioria dos moradores do Minha Casa Minha Vida é gente de bem, subjugada por bandidos que impõem as leis do terror e do silêncio. São pessoas que passaram a dividir o sonho da casa própria com o medo.

Apesar do cenário desalentador, apenas uma vez estes residenciais foram alvo de uma operação policial de grande porte – aliás, a maior já realizada em Volta Redonda: em 14 de agosto de 2015, quando o delegado de Volta Redonda era Luís Maurício Armond, foram mobilizados 350 agentes em 70 viaturas e um helicóptero para cumprir cinco dezenas de mandados de prisão e de busca e apreensão.

Ataque a PMs expõe mais uma vez domínio do crime no Minha Casa Minha Vida

Os alvos principais foram os condomínios do Roma e de Três Poços, além do Morro da Conquista, no Santo Agostinho. Naquela ocasião, foram cumpridos nove mandados de prisão e sete contra suspeitos que já se encontravam presos. Armond disse que uma reportagem do FOCO REGIONAL publicada dois meses antes, expondo a ocupação dos condomínios pelos traficantes, também serviu de base para solicitação dos mandados judiciais. (Fotos: Arquivo Foco Regional)

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