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Nacional

Apuração de tiroteio entre policiais em Minas mobiliza dois estados

Investigadores de MG e de SP atuam em conjunto para apurar

23/10/2018 09:57:46

As secretarias de Segurança de Minas Gerais e de São Paulo investigam em conjunto o caso de uma troca de tiros entre policiais civis mineiros e paulistas, que terminou com a morte de um agente de MG em Juiz de Fora, na Zona da Mata, na última sexta-feira. O secretário de Segurança Pública de Minas, Sérgio Barbosa Menezes, cogitou a abertura de inquérito pela Polícia Federal, devido à apreensão de R$ 15 milhões em notas falsas na cena do tiroteio. A suspeita é de que os dois grupos tenham se encontrado para uma transação de troca de reais por dólares entre empresários dos dois estados. Em depoimento, entretanto, um empresário paulista envolvido no caso negou o suposto câmbio.

Flávio de Souza Guimarães, que estaria transportando dólares, se apresentou na segunda-feira à Corregedoria da Polícia Civil do Estado de São Paulo, onde negou que estivesse de posse de moeda norte-americana. Antônio Vilela, empresário de Minas a quem pertenceriam as malas de notas falsas apreendidas e acabou baleado no pé, já deixou o hospital e foi preso. Dois delegados e dois investigadores de São Paulo foram encaminhados para o Complexo Penitenciário Nelson Hungria, em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Os agentes mineiros foram liberados.

“Tenho conversado com o secretário de São Paulo. As instituições estão trabalhando de forma integrada. Não pode ser diferente. Estamos produzindo informações necessárias para esclarecer o caso”, disse o secretário Sérgio Menezes. “O inquérito policial, com certeza, vai dar um corpo probatório que vai esclarecer autoria, materialidade e a motivação dos fatos”, afirmou o secretário.

Ele ainda sugeriu a entrada a Polícia Federal na investigação, no que se refere às notas apreendidas. “Havia R$ 15 milhões em cédulas falsas. A investigação desse crime é de atribuição da PF”, disse. Por meio de nota, a assessoria de imprensa da PF informou que a apuração pela corporação “dependerá de eventual declínio de competência da Justiça Estadual para a Justiça Federal, no caso de não se tratar de falsificação grosseira”. Se for grosseira, continuará com a Polícia Civil, “por configurar crime de estelionato”.

Na tarde da segunda-feira, além de afirmar que não portava dólares quando foi a Juiz de Fora, o empresário paulista Flávio de Souza Guimarães, que estava envolvido na transação e fugiu da cidade num táxi-aéreo, disse à Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo estava em Juiz de Fora para negociar empréstimos para sua empresa. Com relação à escolta, alegou que contratava os serviços de uma empresa de segurança rotineiramente, dando a entender que não sabia que havia policiais na escolta.

Irmão de policial, Jerônimo Silva também estava no local do tiroteio, onde foi ferido, e é o suspeito de ter feito o disparo que provocou a morte do agente mineiro. Ele está internado em Juiz Fora. O estado de saúde dele é grave.

O depoimento do empresário Flávio Guimarães será usado tanto no inquérito que apura a conduta administrativa dos policiais paulistas — impedidos por lei de fazer “bico” –, quanto na investigação criminal aberta pela Polícia Civil de Minas. Ele seria ouvido por meio de carta precatória.

Mágino Alves, secretário de Segurança de São Paulo, afirmou que a apuração da corregedoria vai além do fato de os agentes estarem fazendo trabalho extraoficial. “Todos nós assistimos à grande quantidade de dinheiro que estava sendo transportada. Isso não permite dizer que era só um trabalho de acompanhamento, de escolta. Era um trabalho de co-autoria com o crime que estava sendo cometido pelo particular”, declarou. “Comprovados desvios de conduta, os policiais envolvidos responderão administrativa e criminalmente, de acordo com os atos praticados por cada um”, informou a secretaria por meio de nota.

Os quatro policiais paulistas tiveram a prisão preventiva decretada na noite de domingo. Eles foram autuados por lavagem de dinheiro e podem ser implicados na morte do policial mineiro. Outros cinco agentes de São Paulo foram ouvidos e liberados, mas a conduta deles ainda é investigada.

Três policiais mineiros que estavam na cena do tiroteio foram indiciados por prevaricação, por terem conhecimento da operação ilegal e não tomarem medidas, mas podem responder por outros crimes, pois também continuam sendo investigados. Eles não foram presos e se comprometeram a comparecer à audiência marcada para novembro.

ESCOLTA – A linha de apuração da equipe da Superintendência de Investigação e Polícia Judiciária de Juiz de Fora é de que os policiais davam cobertura a uma transação possivelmente ilegal entre os dois empresários, marcada para ocorrer no estacionamento de um condomínio de consultórios que faz ligação com o Hospital Monte Sinai. As informações já obtidas pelos investigadores dão conta de que os policiais faziam a escolta de Flávio Guimarães entre São Paulo e  Juiz de Fora com uma quantidade de dólares para realizar a troca da moeda no município mineiro. O negócio deu errado, aparentemente, quando se descobriu que parte das cédulas em real que seriam usadas na transação era falsa. As informações são do jornal O Estado de Minas.

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