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Estado

Tanques do Exército da Síria atacam cidade e matam pelo menos 80

29/09/2011 16:44:45

Tanques do Exército sírio dispararam explosivos e metralhadoras na cidade de Hama hoje, matando pelo menos 80 civis segundo a agência de notícias Reuters. A ação foi para impedir manifestações contra o governo do presidente Bashar al-Assad, disseram moradores e ativistas. A operação na cidade, de 700 mil moradores - que ficou cercada durante um mês - começou ao amanhecer.

O presidente americano Barack Obama ficou horrorizado com o fato de o governo sírio usar violência contra o seu povo na cidade de Hama e prometeu trabalhar para isolar o presidente Bashar al-Assad. Em nota divulgada pela Casa Branca, Obama diz que "a Síria será um lugar melhor quando for feita uma transição democrática. Nos próximos dias os EUA continuarão a aumentar a pressão contra o regime sírio e trabalhar para isolar o governo de Assad".

A Inglaterra e a França também condenaram os ataques. A embaixada americana disse que as autoridades sírias começaram uma guerra contra seu povo ao atacar Hama.

- É desesperador. As autoridades acreditam que podem, de algum jeito, permanecer no poder colocando o exército contra seus próprios cidadãos - disse o adido de imprensa americano, J.J. Harder à Reuters.

Um médico que não quis ser identificado disse que a maioria dos corpos foi levada aos hospitais de Badr, Al-Horani e Hikmeh:

- Os tanques estão atacando de quatro direções. Eles estão disparando metralhadoras pesadas a esmo e derrubando bloqueios improvisados nas estradas, erguidos pelos habitantes.

Hama tem uma grande importância para o movimento contra o governo, pois o pai de Assad, o falecido presidente Hafez al-Assad, enviou suas tropas ao local para acabar com uma revolta em 1982, arrasando bairros inteiros e matando até 30 mil pessoas, no episódio mais sangrento da história moderna da Síria.

Cerca de quatro explosivos são lançados pelos tanques a cada minuto no norte de Hama, disseram moradores. A eletricidade e a água foram cortadas nos principais bairros, uma tática usada pelos militares quando atacam cidades com o objetivo de interromper protestos.

No poder há 11 anos, Assad está tentando acabar com uma revolta contra o seu governo. O movimento surgiu em março, inspirado nas revoluções árabes na Tunísia e no Egito, e se espalhou pelo país. Desde então, segundo organizações de direitos humanos, cerca de 1.600 foram mortas por forças do governo na Síria.

Autoridades sírias expulsaram do país jornalistas de veículos independentes, tornando difícil verificar os relatos de violência. 

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