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22 anos e 4 tentativas de suicídio

Na primeira, ela tinha 13 anos

31/01/2020 08:26:52

Luciana (nome fictício) tem apenas 22 anos e já tentou se matar quatro vezes. Duas ocorreram em São João Del Rey (MG), onde ela morava. A primeira foi quando ela tinha 13 anos.

- Eu me sentia isolada na escola, sofria bullying por causa do meu cabelo, do meu rosto, do meu nariz, da cor da minha pele – conta a jovem, que diz ter levado sua aflição ao conhecimento da mãe e da direção da escola: “Nada foi feito”.

Luciana tentou o suicídio sempre tomando medicamentos em excesso. Na segunda vez, já com 17 anos, misturou remédios com bebidas alcoólicas.

A família se mudou para Volta Redonda em 2018, segundo a jovem, depois que sua irmã se tornou dependente de drogas. Com medo de que a filha fosse morta, a mãe resolveu deixar São João Del Rey.

SÓ NA INTERNET

Em Volta Redonda, no início do ano passado, Luciana tentou de novo tirar a própria vida após perder o emprego numa empresa de telemarketing. Só então foi encaminhada ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial), mas, ainda assim, houve a quarta tentativa, o que a levou a passar 15 dias hospitalizada.

- Eu me sentia muito sozinha. No trabalho, passava mal, tinha crises de ansiedade – diz ela, que é atendida até hoje, sem esconder que ainda é assombrada pelo desejo de se matar: “Mas quando isso acontece, eu vou para o Caps e fico lá até o desejo passar”.

Luciana revela que, até ser acolhida, só se manifestava num grupo de internet. “Postava muito sobre morte, que queria me matar. Na escola cheguei a falar com professores, que não viram nada de anormal. Minha mãe trabalhava muito, eu queria mudar de escola e ela falava que não tinha tempo para cuidar disso”, segue revelando a jovem, que chegou a iniciar a faculdade de psicologia, interrompida desde que se mudou de Minas.

- As escolas não estão preparadas para lidar com isso – avalia a coordenadora de Saúde Mental da Secretaria de Saúde, Renata Vasquez Molina, ao defender a qualificação do corpo docente para identificar mudanças de comportamento dos estudantes. “Essas mudanças podem até não levar a isso [tentativa de suicídio], mas é preciso ter sensibilidade, porque a depressão pode ser o pontapé inicial e evoluir para o pensamento de morte”, adverte.

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