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por: Ingridy Ribeiro

Uma mente sem lembranças

27/10/2017 08:22

Alguma vez você já quis apagar uma memória dolorosa a fim de eliminar o sofrimento que ela lhe causava, especialmente as memórias dos seus relacionamentos falidos? Será mesmo que seria positivo simplesmente nos livrarmos do nosso passado indesejável?

Você conheça o filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”? Eu simplesmente amo este filme! Após um término, os protagonistas passam por um tratamento cerebral para que as memórias de seu relacionamento sejam apagadas. O dilema é que o tratamento funciona, eles acabam se arrependendo da decisão de ter apagado as suas lembranças e começam a lutar para recuperá-las.

Me lembro que a primeira vez que assisti a este filme, anos atrás, pensei: “Uau! Que bom seria! Eu apagaria isso, aquilo e aquela pessoa...”. Uma mente sem lembranças não soa como um consolo perfeito para a nossa sociedade imediatista, que exalta o prazer, a felicidade e “não tem tempo” para reconsiderar a forma como se pensa e vive a dor da perda, do insucesso? Grande falácia!

Outro dia assisti novamente o filme e desta vez pensei: “Se eu apagasse as minhas memórias dolorosas, isso seria uma perda emocional imensurável, eu perderia também parte da minha história e não é exagero dizer, perderia a minha identidade, parte de quem eu sou. O que restaria se eu enterrasse parte do meu passado? Se eu simplesmente jogasse no lixo minhas memórias? O que iria sobrar além de um vazio enorme e apavorante? ”.

Afinal, eu aprendi sobre o que é importante na vida errando. Minhas maiores transformações e aprendizados foram graças aos momentos mais difíceis da minha vida e por isso eu não quero me esquecer deles. É com nossas dificuldades que crescemos. Abandonar nossas lembranças difíceis poderia até nos tirar a dor, mas também nos tiraria a possibilidade de aprender, de crescer.

Ok. Você pode estar pensando que há alguns acontecimentos e pessoas que não valem a pena lembrar. Bom, eu acredito que cada pessoa que passa na nossa vida exerce uma função. Algumas são como um teste, outras como uma lição e ainda existem aquelas que são como um presente. Quanto a todos aqueles que lhe machucaram, encare-os como uma lição, a lição de nunca ser como eles. Só quando transformamos a dor em aprendizado, fazemos tudo ter valido a pena.

Olhar para o para o que passou com crítica e arrependimento não fará que o tempo volte e que as coisas sejam diferentes. Isso simplesmente não ajuda em nada.

Você já parou para pensar que até agora você já superou ausências, traições, humilhações, agressões e tantas outras feridas? Então, não duvide de você! Você está fazendo um ótimo trabalho! Saiba que há em você recursos poderosos que você sequer imagina que existam, mas eles estão aí, eles fazem parte de você, graças a todos os momentos ruins que você superou.

Este texto é um convite ao resgate dessa sua parte extraordinária, forte, madura, que com certeza adquiriu uma maior compreensão sobre si mesmo e sobre os outros através das adversidades. Conte com ela a partir de agora, pois as pedras sempre hão de existir em nossos caminhos e o problema não é tropeçar nelas, mas sim se apegar a elas. Soa clichê, mas é um fato: seus dissabores contribuíram para a construção da pessoa que você é hoje. Aproveite isso!

Você não precisa destruir o seu passado para viver um presente melhor. Tudo o que você precisa é perdoar a si mesmo pelas escolhas que te fizeram sofrer, perdoar a pessoa que você foi no passado e as pessoas que passaram por ele deixando o pior delas. Não se esqueça que cada um só pode oferecer aquilo que tem.

Combinado?

Até uma próxima!

Ingridy Ribeiro é Coach de Vida & Carreira. Escreve às sextas-feiras

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