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por: Fernando Pedrosa

Meu nome é Enéééééaasss

19/08/2016 22:10

Volta Redonda é o maior colégio eleitoral do Sul Fluminense. Tem cerca de 225 mil eleitores. Não há emissora de televisão na cidade, ao contrário de Resende (TV Rio Sul, afiliada da Globo) e Barra Mansa (onde há uma filiada da TV Bandeirantes). Assim, o horário eleitoral gratuito, que começa no próximo dia 26, se resume ao rádio.

As novas regras diminuíram o tempo dos candidatos tanto na TV quanto no rádio. Serão apenas 10 minutos, duas vezes por dia, de segunda a sábado, de 7 horas às 7h10min e de 12 horas às 12h10min, para divulgar os candidatos a prefeito. A lei 13.165 acabou com a propaganda eleitoral em bloco para vereador.

Os tempos de cada um

Nesta sexta-feira, a Justiça Eleitoral de Volta Redonda divulgou o tempo que cada candidato usará no horário eleitoral gratuito no rádio. América Tereza (PMDB), que formou a maior coligação, terá direito a 4 minutos e 13 segundos. Uma eternidade se comparado ao tempo dos demais. Baltazar (PRB) poderá usar 2 minutos e 25 segundos. Nelson Gonçalves (PSD) vai dispor de 1 minuto e 42 segundos, enquanto Zoinho (PR) terá 1 minuto para vender seu peixe.

Samuca (PV) terá 18 segundos. Danilo Caruso (PSOL), 14 segundos, e Isabel Fraga (PSTU), 8 segundos.

O tempo de propaganda de cada candidato é estabelecido com base no tamanho das bancadas que o apoiam. Assim, quanto mais partidos se alinham a uma candidatura, mais tempo garantem ao candidato. No caso específico de Volta Redonda, melhor para Tereza.

Coisa do Brasil

O horário eleitoral gratuito é uma das jabuticabas do Brasil, com a obrigatoriedade de rádios e TVs de cederem espaço à propaganda dos candidatos. Mas, se é obrigatório, é uma contradição reservar tempo tão diminuto aos aspirantes às prefeituras. Explicar propostas? Nem pensar.

Em 1989, o médico Enéas Carneiro disputou a eleição presidencial dispondo de apenas 17 segundos no horário eleitoral gratuito. Criou o bordão “Meu nome é Enéééééaasss”. Era o pouco que podia falar em tempo tão exíguo. Ele, é claro, não se elegeu presidente, mas em 2002 foi eleito deputado federal com a maior votação do pais, por São Paulo: mais de 1,5 milhão de votos. Era uma figura bizarra, que tinha mais que o dobro do tempo do que terá em Volta Redonda, este ano, a professora Isabel Fraga, que nada tem de excêntrica. É inimaginável pensar que a candidata use o horário eleitoral para dizer “Meu nome é Isabeeeeeeel”.

Limitações

Resquício da ditadura militar, o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão, uma vez obrigatório, deveria ser um instrumento capaz de ajudar o eleitor formar opinião sobre os candidatos. Nunca foi e, este ano, será ainda pior, especialmente em Volta Redonda. Se dependerem do horário gratuito (gratuito é força de expressão), os candidatos estão ferrados. À exceção de Tereza e Baltazar, talvez, quem sabe, Zoinho, os demais terão que se contentar em rodar um jingle de campanha. Haja criatividade dos marqueteiros.

 

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