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por: Fernando Pedrosa

Enchentes e boatos

17/01/2016 13:01

Só quem já passou pelo drama de ter a casa alagada pela enchente de um rio ou córrego certamente sabe o tamanho da desolação. Em geral, enchentes atingem pessoas mais pobres, moradoras de regiões ribeirinhas. O pouco que conquistam é com muito sacrifício. E não é incomum perderem o pouco que têm com as enchentes.

Chega o período de chuvas e tais pessoas passam a viver em alerta 24 horas. Tudo o que não precisam é de boatos que aumentem sua apreensão. Mas, infelizmente, em Barra Mansa – e isso já vem de mais de duas décadas – os moradores ribeirinhos ainda sofrem com dois boatos constantes: tromba d'água em Bananal e aumento de vazão da Represa do Funil, em Itatiaia.

Neste fim de semana, em que as águas do Paraíba avançaram sobre os bairros às suas margens, não foi diferente. Pelas redes sociais, foi replicado insistentemente o boato sobre uma suposta tromba d'água em Bananal, que, se fosse verdade poderia ter efeitos sobre o Rio Bananal, que corta alguns bairros de Barra Mansa, entre eles a Colônia Santo Antônio, antes de desaguar no Paraíba, do qual é um dos afluentes.

No WhatsApp, uma das dezenas de mensagens divulgadas dizia: “Pessoal alguns amigos do zap estão pedindo pra avisar q caiu uma tromba d'agua em bananal e quem morar na colônia o rio que passa lá perto está pra inundar então pessoas que repasse e compartilhe o máximo que puder pra ajudar a avisar os moradores pra poder salva os móveis e eletrodomésticos que puderem ... Por favor repassemm vamos ajudar eles...”

No sábado, por volta das 21 horas, recebi o telefonema de um amigo, morador da Vila Mury, em Volta Redonda. Estava preocupado com a “notícia” de que a Represa do Funil tinha aumentado a vazão de suas comportas. Temia que o volume do Paraíba represasse ainda mais as redes de água pluvial e de esgoto do bairro, que passaram o dia inteiro retidas pela cheia do rio, provocando o retorno para as residências. Sustentava a preocupação, passada por ele por um conhecido, com a “notícia” divulgada no telejornal de uma emissora de TV sobre o suposto aumento de vazão.

Pois o que a emissora informou é que, na sexta-feira, o volume de água na represa estava em 63%, enquanto no mesmo período, no ano passado, ainda sob os efeitos da escassez de chuvas iniciada em 2013, o índice era de 9%.

Em contato com este jornalista, o secretário de Ordem Pública de Barra Mansa, Ueslei da Farmácia, lamentou a propagação dos boatos, que acaba congestionando as linhas telefônicas da Defesa Civil, pois, preocupados, os moradores de áreas sujeitas a inundação passam a ligar para o órgão. Em situações assim, há risco de pessoas que verdadeiramente precisam da atuação da Defesa Civil tenham dificuldades de fazer contato.

A pergunta é inevitável: o que leva um imbecil a espalhar boatos que apavoram quem pode ser afetado? Provocar pânico, pura e simplesmente? Será que o fato de nunca terem passado pelo drama de ter a casa alagada inconscientemente alivia sua consciência?

O pior é que o boato se espalha feito rastilho de pólvora, resultando na “mobilização” de bem intencionados. Muitos propagam informações falsas acreditando que estão prestando um serviço, quando, na verdade, estão ampliando um desserviço aos órgãos públicos e, principalmente, às pessoas mais interessadas, que são aquelas sujeitas a serem afetadas.

Atualmente, a Defesa Civil de Barra Mansa, por exemplo, tem um grupo numa das redes sociais mais acessadas, através da qual tanto recebe quanto transmite informações para residentes em áreas sujeitas a alagamentos dos rios Barra Mansa, Bananal e Paraíba. E, para quem não sabe, vale lembrar que, no caso do Funil, qualquer aumento de vazão deve ser antecedido de aviso aos municípios localizados abaixo da represa, para que estes tenham tempo de avisar aos moradores das áreas que podem ser afetadas.

Portanto, se você é daqueles bem intencionados, antes de propagar o que pode ser um boato, leve em conta pura e simplesmente: como se sentiria se morasse numa área de risco de enchentes e entrasse em pânico, gratuitamente, por uma informação falsa? Talvez essa reflexão ajude a pensar. Os boateiros de plantão não pensam. A não ser, é claro, em atazanar a vida de quem já tem o com que se preocupar.


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