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por: Fernando Pedrosa

Qual discurso de Drable está valendo?

29/04/2020 13:11

O que toca terror ou o que libera geral?

Centro de Barra Mansa na manhã desta quarta-feira: Prefeito deu a senha para público ir às ruas

Há exatamente três semanas, o prefeito de Barra Mansa, Rodrigo Drable, deu uma entrevista em que tocou o terror sobre a Covid-19. Acusou empresários que defendiam a reabertura do comércio de protegerem suas famílias ao mesmo tempo em que defendiam expor as de seus empregados ao risco do coronavírus.

Disse, textualmente: “Tem pessoas fazendo campanha para voltar o comércio neste momento crítico, mas que querem preservar suas famílias. Ou seja, a dos outros pode estar na rua, mas a dele está dentro de casa”.

A entrevista foi dada ao programa Dário de Paula, na Rádio Sul Fluminense no dia 7 deste mês.

Rodrigo foi além. Traçou um quadro horripilante – e verdadeiro – de como se dá a morte por coronavírus. “Tem gente imaginando que é como um infarto. Não, as pessoas morrem sufocadas, sem ar, com o pulmão cheio d’água, uma morte horrorosa, uma coisa horrível. E esta realidade parece que ainda não entrou na cabeça do nosso povo”.

No dia da entrevista, Barra Mansa tinha 10 casos confirmados de coronavírus. Nenhuma morte. E o prefeito dizia que não sabia mais o que fazer para convencer as pessoas, sobretudo idosos, a permanecerem em casa.

Guinada

Poucas & Boas: Em qual discurso de Rodrigo Drable devemos acreditar?

Já na noite desta terça-feira, Rodrigo foi às redes sociais anunciar a reabertura do comércio. Com algumas condições, é claro, e com respaldo do Ministério Público estadual. O resultado está na foto que ilustra este texto. Foi feita na manhã desta quarta-feira.

A coluna não vai se atrever a avaliar se a medida é correta ou não, afinal, a pandemia não encontra respostas em comum nem mesmo entre infectologistas e sanitaristas. Muito menos condena o anseio natural de comerciantes e empresários de poderem reabrir, movimentar os negócios, pagarem suas contas e tocar a vida.

Mas não deixa de ser surpreendente que, em apenas três semanas, a posição do prefeito seja, na prática, a de colocar muito mais gente nas ruas do que já se via na ocasião em que ele esperneava contra a falta de bom senso daqueles que insistiam em não atender a seus apelos de isolamento domiciliar.

Mais surpreendente ainda é porque a guinada se deu no mesmo momento em que o país registrou recorde de mortes pela Covid-19, com recordes também de óbitos em São Paulo e no Rio de Janeiro. Barra Mansa, não custa lembrar, está no meio do caminho entre as duas metrópoles.

E mais: com 43 casos confirmados e uma morte por coronavírus, Barra Mansa tem 18 moradores internados: cinco na Santa Casa local, sete no Hospital Regional de Volta Redonda e outros seis em um hospital particular da cidade.

A aposta do prefeito é arriscada. A coluna torce para que ele não saia perdendo.

Fernando Pedrosa é editor do FOCO REGIONAL

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